Paladar

Luiz Horta

Desarrolho em profusão

17 maio 2009 | 05:09 por Luiz Horta

Sou péssimo anfitrião. As pessoas me visitam, trazem a comida, fazem a comida, servem-se, lavam os pratos. Tenho a maior facilidade em me sentir na casa dos outros na minha própria, sentar no sofá e deixar as coisas correrem por gravidade ou inércia.

Mas acho que me redimo abrindo garrafas. Sou rápido no saca-rolhas. Garrafa tampada me incomoda. Se no meio da conversa falam de Carignan e tenho uma curiosidade guardada, abro, pois fico imediatamente animado. Sou do tipo rolha frouxa.

Então, sendo meras 4 pessoas abrimos 10 garrafas no sábado. Não bebemos as dez, atenção! Mas provamos, discutimos e analisamos. Surpreendentemente, uma que eu gostei muito, na barafunda de estilos, regiões, países e uvas, foi o Núbio Sauvignon Blanc 08, branco de Santa Catarina, que já comentei antes. Custa 40 reais na loja AOC Brasil, e promete ser o hit da temporada aqui em casa.

Ficou com água na boca?

Mas o top total da noite foi o anacrônico vinho do gelo do doidão Randall Graham, da Bonny Doon. Ele congela a Muscat e faz o seu Eiswein californiano. Não é nada barato, mais de 100 reais uma garrafa de 325 ml, na importadora Vinci, mas é complexo, feliz, com aquele cheiro de terebentina de casca de manga, pêssegos, acidez balanceada por doçura, uma botritis real ou imaginada e corpo. Ficou delicinha com o tartare de atum com amêndoas torradas e foie salteado, feito como entrada pelo meu amigo Nico Ravel.

Foi a combinação perfeita para a mais perfeita atividade humana: entreter-se com amigos em volta da mesa. Mesmo com minha estranha mania de me mimetizar velozmente em convidado, esteja onde estiver e o fato de ser canhoto, também, para cozinhar.