Paladar

Luiz Horta

Dia branco de feira

09 maio 2009 | 12:54 por Luiz Horta

Detesto feiras. Muita gente, muita confusão, pouca concentração para provar os vinhos. Mas este ano tenho que admitir, num estilo do Conselheiro Acácio: o que estava bom, estava bom. A Expovinis funcionou. Tinha conforto, possibilidade de conversar e tranquilidade para degustar.

Quem me conhece sabe, não sou nacionalista, acho besteira valorizar produtos pela sua origem nacional, parece uma visão acanhada e desprovida de base lógica, exceto sentimental.Não gosto de vinhos ruins, venham de onde vierem, e prefiro os bons, idem sobre sua origem.

Mas na feira me concentrei nos vinhos brasileiros. Na verdade, fui para prová-los. É incrível, mas não é nada fácil provar vinhos brasileiros distintos dos que estão nos supermercados. Tive uma ótima surpresa.

Ficou com água na boca?

Parei primeiro no stand da associação dos vinhos de Santa Catarina. Como a região cresceu em tão pouco tempo! Entre as primeiras garrafas de Villa Francioni que chegaram aqui uns anos passados e hoje, uma grande diferença. Há pequenos produtores com bons vinhos. Notáveis brancos sem madeira, em especial.

O destaque foi o Sauvignon Blanc Núbio 08, tão diferente dos SB do Novo Mundo, nada daquele nariz de chapéu de Carmen Miranda, aquele golpe de abacaxis e mangas totalmente construído com leveduras de efeito. O Núbio é sério no nariz, tem figos frescos e um toque de relva, contido, elegante. E a boca confirma, acidez natural refrescante, equílibrio, fineza. Para tomar frio e aos goles grandes. Ele foi um dos premiados na lista dos Top 10 da feira, e certamente vai subir de preço, mas custa 34 reais e eu estou encomendando, rapidinho, uma caixa.

Outro branco que me chamou a atenção, o Chardonnay 08 (sem madeira, finalmente estamos voltando para este estilo) da Vinícola Santa Augusta, de uvas plantadas a 1 mil metros de altitude e uma limpidez e mineralidade interessantíssimas. Delicioso, fino, bom corpo sem calor, vinho de altura de fato, perfeição do manejo das uvas sem nenhum desequilíbrio de madureza. Este terroir promete, com um clima mais favorável que os demais no país.

E o Villagio Grando Chardonnay 07, com 6 meses de madeira, no ponto, o carvalho dando um toque delicado e um pouco de corpo, nada mais. A Villagio Grando também produz um Chardonnay sem madeira 08, bem longo e mineral. Muito bom.

Os tintos comento em seguida, senão o post fica grande demais.