Paladar

Luiz Horta

Enchi

12 março 2009 | 12:52 por Luiz Horta

Hoje, depois de ler o centésimo relato de um ressentido sobre como o Alex Atala é ruim, perdi a paciência. Dei uma limpada radical no meu reader e deletei todos estes blogs obscurantistas e maniqueístas.

Já comi muito bem, muito mal, muito médio no D.O.M. Nos últimos anos tenho comido bem e cada vez melhor, diga-se. Acrescente-se que já tive decepção em 3 estrelas europeus também. Restaurante tem que almejar a regularidade, mas acidentes acontecem.

Agora, o que não estou suportando é gente que acha que cada refeição do Atala ameaça a cozinha da vovó deles, uns xiitas do torresmo. É uma coisa aborrecida, as pessoas vão lá para não gostar e correm para casa para destilar o “não disse?” e o “tá vendo?” das suas constatações em posts longos e entusiasmados.

O Brasil não mudou nadinha, o sucesso dos outros continua uma ofensa pessoal para muitos. Se estas pessoas tivessem razão, se a experiência e o erro não fossem permitidos, ainda comeríamos cru e colhido na árvore, ou o recém abatido com nosso tacape. Gastronomia anda por caminhos da curiosidade. O que não elimina, claro, o torresmo bem feito, mas só o aperfeiçoamento do torresmo perfeito não cria um sistema.

E chega, vou dedicar meus olhos capengas às leituras mais graciosas.
[Lembrei de um pensamento inteligente que tive ano passado, quando escrevia um texto para o chef do Mugaritz: gastronomia é a transformação da natureza em cultura.]

Ficou com água na boca?