Paladar

Luiz Horta

God sparkle the queen!

31 maio 2012 | 05:00 por Luiz Horta

O reinado de Elizabeth é tão longo que ela presenciou o impossível: vinhos ingleses. E bons vinhos. A piada interna nos meios vinícolas é que, com as alterações climáticas, num futuro não distante Bordeaux será na Inglaterra e a Borgonha, na Suécia, pois o aquecimento dos países do norte é notável.

Britânicos podem celebrar o jubileu de diamante espocando um “champanhe” de Sussex ou da Cornualha. Provei dois dos mais renomados. Um deles, o Camel Valley, tem acidez demasiada e é pouco expressivo no sabor, apesar de caro, £ 33 (cerca de R$ 100). O produtor é um ex-piloto da RAF, Bob Lindo, que planta uvas há 20 anos no sul da ilha.

Talvez eu esteja errado procurando expressão francesa num espumante inglês e este seja, afinal, o estilo local. Não era ruim, não era bom, e por £ 5 (R$ 12) extras eu compraria uma Tattinger ou Bollinger. Já o Nyetimber Classic Blend, da região de West Sussex, como o nome diz, um corte das uvas clássicas de Champagne – Pinot, Chardonnay e Meunier –, impressionou. O preço é parecido: paguei £ 37 (R$ 111) na Fortnum & Mason, mas o site da empresa oferece a £ 25 ($ 75). No nariz é bem achampanhado, tem até o toque de padaria francesa, brioche recém-saído do forno, tostado. Na boca é extremamente satisfatório, bela cremosidade e perolado. Não é caricatura de champanhe, e sim um ótimo produto.

Surgiu uma discussão sobre o uso do termo méthode champenoise no rótulo, aquelas intermináveis discussões regidas por Bruxelas da legislação europeia, sinal de que a coisa era boa. Houve quem propusesse British Method, mas terminaram por estampar Traditional Method.
Resta beber e brindar: God sparkle the queen!

Classic Blend 2006 Nyetimber
Safrado e excelente, não deixa bolha sobre bolha, arrasa em qualidade e sabor, com características bem francesas

Brut Camel Valley
Acidez um pouco desequilibrada, não tão exuberante quanto o Nyetimber

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