Paladar

Luiz Horta

O vinho que nunca existiu

08 junho 2010 | 00:35 por Luiz Horta

A fixação em perfeição da vinícola espanhola Vega Sicilia, um dos nomes mais importantes do vinho no mundo, é conhecida. O caso mais recente foi o do Vega branco. A bodega só produz tintos, o Vega Sicilia Unico, um vinho mítico e muito caro e o ainda mais caro e raro, seleción especial.

Faz mais de uma década anunciaram o começo de pesquisas para a produção de um branco. Vinhedos foram plantados, esperaram 10 anos para começar a vinificar, colheram, fizeram inúmeras experiências com cortes, distintos tostados de barricas, tempos de fermentação e tal. Finalmente saiu um vinho.

O dono e o enólogo, Pablo Alvarez e Xavier Ausás, provaram, pensaram, ponderaram e decidiram que o vinho não evoluia bem na garrafa, não tinha o padrão de excelência da casa e que o projeto flopara. Vinhedos foram arrancados e acabou, adeus Vega branco.

Ontem, no Encontro Mistral, conversei com Puri Mancebo, representante do Vega Sicilia e ela contou que provou o vinho, que era um corte de Marsanne, Rousanne, Viognier e Chardonnay, que gostou bastante e que as garrafas existem e não sabem ainda o que farão delas, mas que, definitivamente, o assunto morreu.

Eu pensei que uma destas garrafas, em pouco tempo, valerá uma pequena fábula num leilão da Christie’s, afinal é um raridade, o melhor branco da Espanha que nunca existiu.