Paladar

Luiz Horta

Painel dos melhores mostra a diversidade

17 julho 2013 | 21:44 por Luiz Horta

São menos de 5 mil hectares de vinhedos em torno da cidade homônima de Chablis e de Auxerre, todos plantados com Chardonnay. Só Chardonnay. E cada um deles é diferente, não só pela normal variação sazonal, que aparece nas safras, mas em cada metro de solo cultivado. A chance de provar juntos em um curto espaço de tempo 22 amostras classificadas como top do ano é especial. Dá para entender o que faz de Chablis o local que melhor demonstra o potencial e o perfil varietal da Chardonnay, como diz a crítica britânica Jancis Robinson. Claro que há grandes chardonnays pelo mundo. Ali mesmo na Borgonha há Montrachet e Corton-Charlemagne para afirmar isso. Mas o volume de vinho de mesma uva com tamanha qualidade concentrado em espaço tão pequeno é único.

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Destaco minhas garrafas favoritas, pela ordem em que foram bebidas. O Petit-Chablis Domaine Louis Moreau 2011, muito fino e longo, especial para um Petit-Chablis, delicioso. O Chablis Domaine Christophe et Fils 2011, bem elétrico, exemplar da acidez salivante do vinho, pede comida e é excelente. O Premier Cru da Rive Gauche, Vauligneau de Alain Geoffroy 2011, leve toque de iodo no nariz, marinho, mineral, suco de cristal, lindo! E do mesmo nível, do mesmo produtor, só que Rive Droite, o Fourchaume Alain Geoffroy 2011, nervoso na boca, sério, com potencial de guarda e muito fino, um acontecimento. Também Premier Cru e Rive Droite, o JP et Benoit Droin, Montee de Tonnerre 2011, nariz denso e cítrico, longo e opulento, grande vinho. Consultando minhas anotações, vejo que me entusiasmei mais pelos Premier Crus da Rive Droite, pois foi onde dei mais destaques. O seguinte também é da mesma estirpe, Vaulorent 2011 de Nathalie et Gilles Fevre, límpido, direto, mineral e com boa acidez, tudo no lugar, estilo macio, sedutor e arquetipal, uma espécie de modelo sobre o qual julgar os demais, puro equilíbrio. Dos três Grand Crus 2010 provados, o campeão (e um dos melhores de todo o painel) foi o Vaudesir do Domaine Long-Depaquit, Mineral, elétrico, cristalino, delicado, mas denso e encorpado, espetacular o modo como vai evoluindo, ganhando untuosidade sem perder o frescor. Belo vinho que beberia todo, se não tivesse de continuar o longo dia (a degustação foi a primeira da manhã).

Chablis. Todo o potencial e perfil varietal da uva Chardonnay. FOTO: Luiz Horta/Estadão

E para terminar o Grand Cru Les Clos 2010 de Garnier et Fils, outro registro, nariz com traços mais evoluídos, leve amanteigado (malolática? madeira?), redondo. Anda um pouco para o lado de um vetusto chardonnay e menos para a tensão dos chablis, Diria que é iluminado a luz de velas e não a eletricidade. Um vinho completamente fora do estilo dos outros, excelente também de outro modo.

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