Paladar

Luiz Horta

Paladino da Malbec

07 julho 2011 | 15:11 por Luiz Horta

Depois da Malbec? Mais Malbec
publicado no Paladar de 07 de julho de 2011

Uma vez me chamaram de paladino da Malbec. A intenção era ser desagradável, coisa de esnobes, que acham vinhos bons só os da França. Xingamentos e preconceitos, melhor esquecê-los. Entretanto, achei o apelido um elogio tão bom que adotei. Gosto de Malbecs, sim, por que me envergonhar de bebê-los? A casta passou no teste de qualidade, veio de Cahors, sudoeste francês, adaptou-se à Argentina, produziu e produz vinhos pesados e alcoólicos que eu chamo Malbecões, aqueles com mais madeira que uma caravela, doces, enjoativos e homogêneos, como são muitos Shirazes australianos. Vêm do que chamo país das sombras iguais, indistinguíveis e aborrecidos.

Mas há outros, e seu número cresce. Na viagem que estou fazendo por Mendoza, tendo feito uma degustação prévia de Patagônia e Salta em Buenos Aires, de cerca de 250 vinhos provados até agora, apenas 3 foram Malbecões; e mesmo esses eu achei engraçado chamar de Supermalbecs: continuam gordos e excessivos em tudo, mas já não são tão lineares. Os demais foram um desfile de vinhos complexos, com o charme floral violáceo da uva aparecendo no nariz e delicadeza e sutileza na boca.

O que aconteceu? Os produtores estão investigando decididamente seu terroir, a história está só no começo. Como me disse José Alberto Zuccardi: “Depois da Malbec virá mais Malbec, cada vez expressando mais sua origem”. Para os afetados, só digo que esse jovem senhor aí na foto, Jean-Jacques Bonnie, tem dois châteaux em Bordeaux, o Malartic-Lagravière (Grand Cru Classé de Graves) e o Gazin (Pessac-Léognan). A família é parte do grupo gaulês do Clos de los Siete e produz seus próprios vinhos Diamandes. Eles sabem.


Ficou com água na boca?