Paladar

Luiz Horta

Perplexidade de enófilo

28 agosto 2010 | 03:27 por Luiz Horta

Publicado no Paladar de 12 de agosto de 2010

Bebendo e aprendendo
A vodca puxa o tapete do amante de vinhos, e não estou só falando no seu teor alcoólico. Anos atrás fui a Åhus, uma microcidade sueca dominada pela fábrica de Willy Wonka, só que a velha construção de tijolinhos vitorianos esconde a principal usina (a palavra é essa mesma, são 500 mil litros diários de vodca) da Absolut.
Colhemos o trigo em campos idílicos para fazer o destilado. Eu perguntava, sempre pensando em vinhos: “Ah, o trigo dourado e maduro vai aparecer na bebida?” “Não! Nem pensar”. “Então”, continuava, “importa se o ano foi chuvoso, ou seco, ou ensolarado?”. Não, nem um pouco. Fiquei pensativo. Nas degustações, tentei de novo: “Se eu guardar alguns anos esta garrafa, vai evoluir, ganhará sabores?”. Estupefação de todos. “Claro que não.”
Afinal entendi, tudo que a vodca quer é ser neutra, sem aromas e consumida logo, o agente perfeito para drinques. Tomei meu martíni de vodca em silêncio e com prazer, mutismo de uma pessoa que atingiu a iluminação.

Ficou com água na boca?