Paladar

Luiz Horta

Revendo amigos

05 setembro 2013 | 02:38 por Luiz Horta

Provei com exclusividade alguns vinhos do World Wine Experience, que será na semana que vem, tendo este ano a Península Ibérica como tema. Houve reencontros que dominaram minha coluna (e me fizeram deixar Portugal para uma futura).

O primeiro foi com uma região. Fazia muito tempo que a Ribera del Duero tinha saído de meu foco. A região espanhola teve um boom extraordinário em sua curta história como denominação de origem. Virou a mais querida e cultuada parte da Espanha. Mas os vinhedos ficaram caros, e os vinhos, caríssimos. Todo mundo foi investir lá. Até jogadores de futebol e estrelas de cinema passaram a ter seu rótulo Ribera del Duero. Tudo bem glamouroso – com os vinhos descendo a ladeira.

O que era um traço de estilo da D.O., o uso de carvalho americano pronunciado, mas modulado por excelentes uvas (Tinta País, o nome que a Tempranillo recebe por lá), foi virando uma caricatura. Vinhos cada vez piores, mesmo com o preço subindo, sucão de madeira, chá de serralheria. A uva, que tinha força para se integrar a tanto carvalho, envelhecer e mostrar qualidades, foi sobrepujada pela pressa e má enologia.

A Ribera, que chegara a superar a mais vetusta e muito mais consistente vizinha, a Rioja, perdeu o charme, com alguns poucos vinhos de exceção (Vega Sicilia é de lá, não dá para esquecer).

Nos vinhos da World Wine que provei, um sobressaiu de modo notável. Esvaziei a garrafa do Valderiz. Uma bodega relativamente nova que, com assessoria de Telmo Rodríguez, faz esse essencial Ribera del Duero como deve ser. Fiquei fã. Custa R$ 178, mas pelo prazer que proporciona, vale.

Outro reencontro foi com o extraordinário produtor Marques de Murrieta. Do Castillo de Ygay nem é preciso falar. O que mais me encantou foi rever um branco que andava sumido do mercado brasileiro: o Capellanía. Riojano de estirpe, com pé no clássico, tem aqueles traços que fazem lembrar os grandes da região: acidez perfeita, integração correta com o carvalho, capacidade de longevidade, traços amendoados e saborosos na boca. Está mais perto da escola Tondonia que da escola moderna dos Contador e Roda. Sempre foi um favorito com peixes densos, com bacalhau e, no dia da prova, com um cuscuz de camarão bem paulista.

Murrieta, a empresa, é arquétipo da Rioja. Superou o furor descaracterizador que tentou acabar com os grandes Riojas para fazer bolas de fruta alcoólica para agradar Robert Parker. Junto com Riscal, La Rioja Alta, López de Heredia e alguns mais, segurou a tradição e venceu.

FOTOS: Divulgação

Valderiz – Muito Bom
Nariz muito gostoso, com traço delicado de madeira. Na boca é elegante, taninos macios, corpo médio e equilíbrio, perfeito e fácil de beber. Um ótimo vinho com o pedigree da Ribera (R$ 178)

Dinastía Vivanco Crianza 2008 – Muito Bom
Nariz de folhas de tabaco, madeira e ameixas-pretas. Boca intensa, bem equilibrado, boa evolução na garrafa, taninos delicados (R$ 90)

Capellanía – Favorito!
Branco com nariz amendoado, traço sedutor oxidativo, bem Riojano. Na boca é vivaz, bela acidez, boa presença, longo e macio (R$ 140)

World Wine Experience – Península Ibérica
Dia 10 de setembro, das 16h às 21h.

SERVIÇO – EAT… Empório Restaurante
Av. Doutor Cardoso de Melo, 1.191, Itaim Bibi
Preço dos ingressos: R$ 180 (degustação e bufê); R$ 240 (degustação, bufê e jantar)
Vendas pelo telefone 3383-7477 e nas lojas da World Wine
Site: worldwine.com.br

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 4/9/2013

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