Paladar

Luiz Horta

Sem jet lag nas legs

25 dezembro 2008 | 23:27 por Luiz Horta

Sempre assustado quando passo em fronteiras, aduanas, controles de passaporte, catracas, portão eletrônico e assemelhados, pois meu índice de Bean (ou Tati), vai lá em cima e o ponteirinho esbarra no máximo, fiquei gelado quando a atendente da Air France parou, olhou minha passagem e disse: “Monsieur, vous êtres surclassé!”.

Vendo meu horror, pois tinha acordado as 5 da manhã e arrastado uma mala enorme (com 30 quilos de peso e 6 garrafas dentro) por estações de metro sem escada rolante (eis o segredo do Paradoxo Francês. Todo aquele foie não engorda porque eles passam os dias subindo escadas) ela explicou: “É, o senhor vai viajar na Executiva”. Aquelas coisas francesas de chamar email de couriel e download de télécharger. Natal tem suas próprias surpresas: era o bom e bem-vindo upgrading na língua complicada do Sartre.

Claro que tenho diversos comentários sobre os vinhos. Dei muita sorte, desde uma remota viagem que fiz pela finada Clipper Class da quase ancestral PanAm eu não comia uma verdadeira refeição em vôo. Mas o que mais me encantou foi a máquina de expresso Illy. Pensava que só a Swiss tinha café de verdade a bordo. Pedir um ristretto e ele vir direito, com espuminha, na xícara ícone de Matteo Thun é a alegria. O mundo até que está melhorando.

Depois comento sobre os vinhos, tenho que abrir malas. E uma gata desesperada, sem dono por 10 dias, que não achou graça alguma na minha ausência.

Ficou com água na boca?