Paladar

Luiz Horta

Tem ruim também

20 dezembro 2008 | 19:41 por Luiz Horta

Um amigo me pergunta se gosto de tudo que bebo, pois dou esta impressão.
A resposta, óbvia, é não. Um não rotundo. Só que acabo me entusiasmando e falando só nos bons. E é tão melhor falar de coisas boas…Mas há dos dois tipos.

Então lá vai um que decepcionou. Um Riesling de Binner. Este produtor é louvado pelo guia Omnivore. Super purista, carrega todas as palavras como orgânico, natural, biô. Bem atrevido, faz misturas de uvas da Alsácia, faz Riesling passificado, colheita tardia, tudo.

Fui lá na Lavinia e comprei o Sonnenberg 2006. Não filtrado, era poderoso na aparência, meio turvo, amarelo palha, curioso. No nariz nenhuma tipicidade, mas tinha uns atrativos. Na boca, assim, assim, boa acidez, meio desmaiado, pesadão, rústico, traço oxidativo importante. Cadê a elegância da uva mais fabulosa de todas? Nada.

Com a exposição ao ar só foi ficando pior, pouco fresco, nebuloso, leve botritis sem que seja esta a idéia original. Um vinho decididamente tosco.

Uma das questões que tenho me colocado (“my brain is really bosie”) é se os vinhos tradicionais (leia-se, feitos da maneira tecnológica) são de fato todos desprezíveis ou se devemos avaliar os vinhos sem rótulos (nos dois sentidos da palavra) e ouvir o copo.

Eu gosto de vinhos cheios de expressão local, artesanais, mas é preciso ter algumas coisas que fazem um vinho ser bom, venha do Château ou do casebre.