Paladar

Luiz Horta

Tem uma formiga no meu Malbec

06 março 2013 | 23:10 por Luiz Horta

Estou impressionado pelo número de menções na coluna ao homem terroir, o consultor chileno Pedro Parra, saxofonista frustrado que trocou o instrumento por uma pá e virou único Ph.D. em solo da América do Sul. Nos últimos meses ele apareceu em artigos trabalhando com a família Zuccardi, com o enólogo do Vieux Télegraphe, com a Undurraga no projeto terroir hunter e com seus próprios vinhos do Clos de Fous. Não surpreende, portanto, que surja de novo como um D’Artagnan do subsolo junto dos três mosqueteiros da bodega Altos Las Hormigas.

Os formigueiros e seu D’Artagnan de terroir. Alberto Antonini, Pedro Parra, Antonio Morescalchi e Attilio Pagli estão em São Paulo apresentando os vinhos. FOTOS: Divulgação

A história das garrafas das formigas é bem conhecida aqui, os vinhos foram trazidos desde sua criação pela Mistral e agora mudam de importador, passando para a World Wine. Quatro dos formigueiros estão em São Paulo, pela primeira vez juntos, para a apresentação das novas safras e degustação dos vinhos.

A empresa começou quando Alberto Antonini, enólogo toscano viajante, ex-Antinori, descobriu em Mendoza, em 1995, terras cheias de potencial, infestadas por formigas. Com dois sócios, Morescalchi e Pagli, comprou 260 hectares e plantou Malbec, só Malbec. Os vinhos sempre foram agradáveis, expressivos e densos.

A incorporação de Parra ao projeto, em 2006, deu a eles uma personalidade adicional, um sentido de lugar, coisa que faltava (e ainda falta em muitos vinhos argentinos) nos rótulos da empresa. Fez mais, desenvolveu um belo exemplar de vinhedo único, o Vista Flores Single Vineyard.

Os vinhos básicos são muito bons, satisfatórios no descompromisso, para todo dia, em especial o Bonarda Colonia Las Liebres. A casta Bonarda, gata borralheira da viticultura mendocina, esmagada pelo sucesso da Malbec e pela qualidade dos Cabernets da região, nunca foi levada muito a sério, mas quando é, dá gostosos vinhos frutados para consumo rápido, um ou dois anos no máximo, que podem ser servidos frescos, passados pela geladeira ou balde de gelo. É vinho para ter sempre à mão e levar para refeições relaxadas, tomar uma taça com sanduíche de mortadela ou fazer perfeita companhia a uma pizza de calabresa.

Vista Flores Single Vineyard 2007 – Excelente
Nariz profundo de frutas roxas, floral de violeta. Na boca, taninos delicados, mineralidade, aula das possibilidades da Malbec (R$ 350, World Wine, tel.: 3383-7477)

Colonia Las Liebres Bonarda 2012 – Muito Bom
Minha ideia de felicidade, vinho muito frutado, tinto que pode ser tomado gelado, para o dia a dia, amigo de comidas simples e sem rituais, matador de sede (R$ 39)

Malbec Terroir 2010 – Muito Bom
Agradável floral no nariz, corpo médio, boa acidez, concentrado sem ser gordo, toque mineral e taninos muito bem trabalhados, passa por ripas de carvalho francês. Ótimo vinho (R$ 74)

Malbec Reserva 2009 – Muito Bom
Mais complexo no nariz, toque cítrico e de madeira. Taninos marcados, finos, boa evolução, passa 18 meses em carvalho francês e é um vinho elegante e suculento (R$ 102)

Malbec Clásico 2012 – Muito Bom
O irmão mais simples da família, faz bom par com a Bonarda, para beber logo, sem compromissos e aos goles amplos. Fácil, amigável, entrega o que promete, um Malbec para o cotidiano (R$ 49)

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