Paladar

Luiz Horta

Vim, Vinci e Bebi

21 maio 2009 | 23:20 por Luiz Horta

Estamos todos os blogueiros (já li a lista do Didú, do João “Falando de Vinhos” Felipe, do casal Gourmandise e do Nico “Food Hunter” Ravel) nos divertindo com o melhor do encontro da importadora Vinci: fazer o retrospecto dos top 10 para cada um. A lista para o enófilo é como o debate para o torcedor de futebol, um jeito agradável de esticar o prazer do jogo.

A minha, em ordem do catálogo e não de preferência, segue. Dei duas roubadinhas, meu top 10 tem 11 vinhos, porque tinha dois Rieslings tão bons, do mesmo produtor, que só sorteando conseguiria me decidir. E deixei de fora os Tondonias, pois eles são hors-concours na minha predileção, não seria justo incluí-los. Como disse a Julio Cesar Lopez de Heredia, quando me perguntou, no finalzinho do evento, o que eu tinha gostado mais: “soy sospechoso”.

Zeitinger Sonnenhur Selbach-Oster Riesling Spätlese trocken 2006 (US$63.50): tanta rieslingeidade que estonteia. Só não é perfeito por não ter 15 anos mais, vai ser uma tetéia no futuro.

Wehlener Sonnenuhr Selbach Riesling Kabinett 2004: (US$39.90)
a prova da qualidade deste magnífico produtor, seus vinhos de négociant são tão bons quanto os do domaine.

Kaiken Malbec 2007 (US$17.50): confirmei uma impressão anterior, foi salutar esta invasão chilena da Montes em Mendoza. O Malbec platino-chileno é delicioso, diferente e…barato.

A.Lisa 2006 Bodegas Noemia (US$ 49,90): outro Malbec excêntrico, no sentido de fora do centro, o patagônico de Noemi Cinzano. Bela acidez, cheio de tipicidade, nada pesado, fino, expressivo.

Angheben Gewurztraminer 2008 (R$ 29) Já era fã dos Barberas destes gaúchos. Agora acrescentei este ótimo e elegante Gewurtz, concentrado no ponto certo, evitando os perigos alcóolicos e excessivos da cepa.

Viña Real crianza 2005 (US$ 38.50) Um Rioja maravilhoso por ótimo preço. Já fui entusiasta dos Imperial, mas os Viña Real, mais elegantes, estão ocupando o seu lugar de favoritos.

Herencia Remondo La Montesa 2004 (US$ 49.90): quando Alvaro Palacios voltou do Priorato para a propriedade familiar na Rioja Baja não estava para brincadeiras. Cada ano estes vinhos estão melhores, baseados sobretudo em Garnacha.

Contino Reserva 2002 (US$ 89.50): é um dos grandes Riojas, hay que modernizar, sem perder a tradição jamais.

Chinon Le Pallus 2005 (US$ 186.00): uma das surpresas do evento. Corte de quatro diferentes vinhedos, muito Cabernet Franc, muito Chinon, mas carregado de personalidade. O produtor é uma figura, voltou da Espanha quando o pai se aposentou e fez seu primeiro vinho sem saber quase nada do lugar, apesar de ser a quinta geração da família. O resultado é este. Maravilhoso.

Chocapalha Reserva branco 2005 (US$ 45.75): aquelas coisas dos Douro boys. Conseguir um vinho com o calor e intensidade da fruta madura do sul mas a sutileza do norte.

[Meu amigo Pagliari fez um comentário que me mostrou não ter sido claro, aqui. Explico. Minha ideia era dizer, um vinho feito no sul, usando o calor mais intenso da região mas com a expertise do Douro, resultando num branco potente, maduro, caloroso, mas fino em acidez. Ele chama atenção para o fato da enóloga ser a mulher do Jorge Serodio, ou seja, uma Douro Girl…]

Passadouro tinto 2002 (US$ 45.90): notável acidez torna este “Porto seco” um vinhaço.