Paladar

O Cachacier

Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

A cachaça cresceu e apareceu: um pouco sobre o desenvolvimento do mercado da branquinha

Da origem humilde nas senzalas do Brasil Colonial aos balcões mais sofisticados do mundo: a cachaça evoluiu em qualidade e em apresentação

29 novembro 2016 | 17:37 por Mauricio Maia

Foi um caminho muito longo para que a cachaça chegasse aos padrões a que estamos nos acostumando hoje em dia.

Ela nasceu como bebida simples, produzida com as sobras da rica indústria açucareira e consumida nas senzalas somente por escravos. Foi um pulo até que chegasse à casa grande e passasse a ser apreciada também pelos senhores de engenho. Já no século 20, passou a ganhar contornos de bebida sofisticada e de fino paladar, apesar de ainda manter seu caráter popular.

No final dos anos 1990, o então governador de Minas Gerais Itamar Franco sancionou uma lei estadual, em vigor até hoje, que padroniza a produção e as características químicas da cachaça. Com isso, a bebida deu um grande salto de qualidade, apresentando características sensoriais apuradas – decorrentes do aperfeiçoamento dos processos de envelhecimento – dificilmente encontradas em qualquer outro destilado do mundo.

Ficou com água na boca?

 

Alambique de cobre da Cachaçaria Weber Haus

Seguindo modernas técnicas de produção, a cachaçaria Weber Haus é um modelo em boas práticas e tecnologia. FOTO: Mauricio Maia/Arquivo Pessoal

 

Essa melhora de qualidade foi rapidamente percebida pelo mercado e pelos consumidores. Não demorou para que o governo federal, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, aplicasse praticamente as mesmas regras para todo o País, através de uma lei federal que passou a regulamentar toda a cadeia produtiva da cachaça.

Até o mercado internacional (“os gringos” como costumamos falar por aqui) caiu de paixão pela nossa branquinha. Mas, apesar da crescente demanda estrangeira, o volume de exportação ainda é insipiente: apenas 1% do total produzido. Vale notar que a cachaça é o terceiro destilado com o maior volume de fabricação do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de litros por safra, atrás somente do shochu e da vodca.

Acredito que dois pontos devem ser destacados nesta evolução da bebida nacional:

1. o surgimento de algumas marcas, principalmente no mercado norte-americano, que são produzidas no Brasil e comercializadas somente nas terras do Tio Sam;

2. o crescente grau de sofisticação que a bebida vem ganhando, com produtores apostando no melhor acabamento do líquido (resultado de um apuro tecnológico e melhores técnicas de envelhecimento), em edições limitadas que fazem a festa de apreciadores e colecionadores e em embalagens mais requintadas, que vão desde as clássicas garrafas de cristal Baccarat até garrafas com design moderno e arrojado. Isso fez com que a cachaça, antes acondicionada em rústicas garrafas reaproveitadas de outras bebidas, adquirisse uma apresentação à altura de sua qualidade e saísse da parte de baixo do balcão para ser exibida em toda sua exuberância nas prateleiras dos mais sofisticados bares e restaurantes. Aqui e lá fora. Um brinde a isso!

Saúde!

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