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Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

Chega ao fim o III Ranking da Cúpula da Cachaça: confira os resultados!

Confira minha análise, como um 'insider' de todo o processo, de alguns números e resultados deste III Ranking da Cúpula da Cachaça

01 fevereiro 2018 | 19:14 por Mauricio Maia

Se você chegou até aqui é provável que já tenha visto a matéria publicada hoje na capa do Paladar com os resultados do III Ranking da Cúpula da Cachaça, que durante os últimos cinco meses agitou o universo “cachacístico” do Brasil. Se não viu, clique aqui e vai lá ler!

Poderia comentar aqui cada uma das cachaças, porém isso já foi feito pela repórter Renata Mesquita, colhendo os depoimentos de cada um dos membros da Cúpula da Cachaça – ou “cúpulos” como costumam ser chamados. Prefiro fazer uma rápida análise dos resultados e da nítida evolução desde a última edição em 2016.

Em primeiro ponto, as cachaças mais amadeiradas (envelhecidas ou armazenadas em barris de madeira) continuam na preferência do consumidor e dos degustadores. Apesar de minha notória predileção por cachaças brancas, é impressionante ver a qualidade das cachaças amarelas que foram classificadas para a fase final e degustadas às cegas.

 

Garrafas de Cachaça numeradas

As garrafas sem identificação para a degustação às cegas. FOTO: Mateus Verzola

 

O carvalho continua soberano, porém houve uma queda drástica na quantidade de cachaças oferecidas nesta madeira, 34% nesta 3ª edição contra 62% na edição de 2016. Isso não é pouco. Outro ponto a se destacar no quesito madeiras é o aumento brancas, armazenadas em tanques de aço inoxidável ou em barris de madeiras neutras, como o amendoim, o jequitibá e o freijó, que saltaram de apenas 10% das amostras para impressionantes 28% do total das amostras, o que demonstra uma franca evolução desta categoria de cachaça. Aliás, uma grande evolução do ranking, muito cobrada pelo mercado, foi a apresentação dos resultados separados entre as cachaças “brancas” e as “amarelas”.

Ainda falando de madeiras, houve também um incremento no número de participantes armazenadas em barris de madeiras nacionais – no meu entender um dos grandes diferenciais da cachaça ante outros destilados – que saltou de 10% para 26% (sem considerar as madeiras neutras classificadas como brancas). Este é mais um dado impressionante, resultado principalmente da entrada de novas protagonistas na disputa, como a Jaqueira e o Jatobá, e ao aumento de amostras armazenadas em barris de castanheira. Além de cachaças que são finalizadas com um blend de líquidos armazenados em madeiras diferentes. Alguns chegam a ter a mistura de cachaças que passaram por sete madeiras diferentes, como a Weber Haus Premium 7 Madeiras que ficou na 12ª colocação.

 

grafico de participação por madeiras

Madeiras usadas nas cachaças que integram o III Ranking da Cúpula. FOTO: Mauricio Maia/Arquivo pessoal

 

Vendo os resultados pelo angulo da regionalidade, onde as cachaças são produzidas, também temos uma nítida evolução do mercado, com um equilíbrio maior entre os principais estados produtores (SP, MG e RJ). Equilíbrio esse que se confirma nos resultados: nas cinco primeiras posições das cachaças “ouro” temos produtos de 5 estados diferentes (MG, RJ, PR, SP e RS) e entre as “brancas”, as 3 primeiras também são de origens diversas (ES, PE e MG). Tivemos até a primeira cachaça representante da região norte, a Indiazinha, de Abaetetuba (PA), que praticamente estreou no mercado às vésperas do início do ranking e conseguiu a façanha de se classificar entre as 50 finalistas.

Para finalizar é interessante ver que temos uma bicampeã, a cachaça Vale Verde 12 Anos, repetiu o feito de 2014 e alcançou as melhores notas. Assim como as segunda e terceiras colocadas também estão repetindo a colocação. A cachaça Magnífica Reserva Soleira, foi segunda colocada em 2014 e a cachaça Companheira Extra Premium foi a terceira colocada no 2º ranking em 2016.

Como atual presidente da Cúpula da Cachaça, gostaria de agradecer a todos que acompanharam o desenvolvimento deste ranking por aqui e pelas redes sociais. Agradecer ao pessoal de Paladar que é um dos parceiros de primeira hora e está sempre lá acompanhando tudo. Um obrigado especial também aos 40 especialistas convidados, que se dispuseram a enfrentar a tarefa de eleger somente 50 cachaças em um universo já limitado de 250 marcas escolhidas pelo consumidor na 1ª fase. Aliás é para o consumidor nosso maior agradecimento – é para vocês, apreciadores de cachaça, a que dedicamos todo o nosso trabalho. Foram mais de 43.000 pessoas votando pela internet. Muito obrigado e até 2020!

Saúde!

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