Paladar

O Cachacier

Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

Tiquira e porco preto, o Maranhão é mais que cuxá e peixe frito

O Festival do Mercado das Tulhas mostra em São Luís toda a diversidade dos produtos e sabores locais em uma região da cidade que é Patrimônio Histórico da Humanidade

13 setembro 2018 | 10:00 por Mauricio Maia

De 28 a 30 de agosto aconteceu em São Luís, capital do Maranhão, o 1º Festival do Mercado das Tulhas, onde professores, pesquisadores, especialistas em bebidas, fornecedores locais e mais de 20 chefs convidados de renome nacional e internacional apresentaram em aulas, palestras e workshops receitas inspiradas nas danças e festas do Maranhão, com ingredientes locais representando a diversidade gastronômica da região.

estival Mercado das Tulhas

O Festival Mercado das Tulhas acontece no Maranhão, unindo gastronomia, cultura e dança. Foto: Reprodução

Nomes como Guga Rocha (SP), Cumpade João (PB), Rivandro França (PE), Marco Antônio (SP), Flávia Moraes (MA), Lui Veronese (DF), Beto Bellini (RO), Warwick Trinta (MA), Isadora Bello Fornari (SP), Ligia França (MA), Mônica Rangel (RJ), Ângela Sicília (PA), Júnior Ayoub (MA), Fred Caffarena (SP), Rafael Libério (MA), Ciça Roxo (RJ), Rô Gouveia (RJ) e Dani Dahoui (SP) fizeram os participantes correrem de um espaço para o outro para não perderem nem um minuto das atividades, todas gratuitas.

O festival culminou com a realização de um “Jantar Magno”, no restaurante Ça-Vá Gastrobar, do chef Rafael Libério, onde os chefs convidados prepararam o menu que foi combinado em três entradas, três pratos principais e uma sobremesa, sem falar do coquetel de boas vindas que foi preparado com cachaças locais, tiquira, infusões com raízes e ervas típicas do Mercado das Tulhas e o famoso Guaraná Jesus.

 

Chef Cumpade João

O Chef Cumpade João, da Paraíba, e seu prato simbolizando o tambor de crioula. FOTO: Divulgação

O chef Júnior Ayoub, idealizador do Festival e presidente da AMAC – Associação Maranhense dos Artesãos Culinários – afirma que o evento cumpre o papel de mostrar que o Maranhão é muito mais que cuxá e peixe frito. Ele agrega arte, cultura, ocupação urbana de um espaço histórico e tem também um papel de responsabilidade social, uma vez que a AMAC possui um trabalho de desenvolvimento e capacitação em diversas comunidades locais, como a Travosa, onde mora a chef Aline Galvão, que ficou em 2º lugar na etapa local do Concurso Enchefs, que acontece em paralelo ao festival.

Aline acaba de abrir, em parceria com a Guaaja Tiquira, um pequeno restaurante onde pode apresentar a culinária tradicional aos turistas já extasiados pelas belezas naturais da região.

Tiquira, aliás, é o destilado típico do Maranhão e pouco conhecido no restante do país. Produzido a partir da mandioca brava, a Guaaja Tiquira se orgulha de ser a primeira e única marca com registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) deste destilado que pode ser chamado de “o legítimo destilado brasileiro”, uma vez que a cana-de-açúcar da cachaça não é original de nossas terras.

A cachaça também marcou presença no evento. Foram 3 aulas ministradas pela especialista Isadora Bello Fornari, das quais participei como convidado, para explorar todas as características das marcas associadas à CARTIMA (Cachaça e Tiquira do Maranhão). Além de degustações e harmonizações com a cerveja Dona, produzida na capital e também um painel sensorial com frutas locais como o bacuri, o buriti e o cupuaçu, mostrando que a cachaça maranhense conversa de igual para igual com qualquer cachaça produzida em todas as outras regiões do país.

Como ninguém é de ferro, após o festival a organização propiciou aos convidados um passeio até a cidade de Santo Amaro do Maranhão, no coração dos Lençóis Maranhenses.

Entre paisagens deslumbrantes, lagoas de cor azul e dunas a perder de vista, ainda conhecemos alguns ingredientes típicos como o porco local – que vou chamar de “porco preto de santo amaro” –  criado solto na região do mangue, ele se alimenta exclusivamente de sarnambi (espécie de marisco local) durante a maré baixa e caju durante a maré alta, e por isso atravessa quilômetros de dunas na maré cheia para completar a sua dieta com caju diretamente no cajueiro, farto na região. Sua carne é muito saborosa e incrivelmente magra. E, claro, combina muito bem com uma boa cachaça. Saúde!

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