Paladar

O Cachacier

Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

Os grandes acontecimentos de 2019 no universo da cachaça

Esse foi o ano que a cachaça quebrou barreiras, viajou dos EUA à China, conquistou prêmios aqui e lá fora e está cada vez mais presente nos balcões

26 de dezembro de 2019 | 18h37 por Mauricio Maia

Ao final de cada ano temos o hábito de passar a limpo o que ocorreu em 2019. E mais uma vez posso afirmar que foi um ano positivo para a cachaça. Apesar de ainda caminhar mais devagar do que eu gostaria, o mercado da cachaça apresenta uma franca evolução.

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O ano começou com cursos nos EUA, onde a cachaça cresce a passos largos. Em 6 anos após a assinatura do acordo de reconhecimento da cachaça como bebida típica brasileira – uma espécie de denominação de origem – os EUA passaram do 5º importador de nosso destilado para o posto de principal país importador, superando a Alemanha que reinou na liderança durante décadas.

O ano seguiu com o reconhecimento da cachaça como destilado superior pelos bartenders nacionais, diversos profissionais desenvolvendo coquetéis fantásticos, e bares de destaque como o Guarita Bar, o Bar do Jiquitaia e o Bar Pirajá que este ano lançou um novo blend elaborado somente por mulheres, em um lindo projeto encabeçado pela especialista e sommelière Isadora Bello Fornari.

Eles seguem firmes em seus propósitos, investindo nas suas marcas próprias da branquinha (private label) e levando informação e bebida de qualidade ao consumidor.

E não só a cachaça entrou no radar da coquetelaria nacional, a tiquira também ganhou notoriedade, com a Guaaja Tiquira (única marca nacional legalizada) presente nas cartas de diversos balcões no RJ e em SP.

E assim foi com o uísque, o rum e a vodca, com representantes nacionais de primeira linha como o Whisky 3 Lobos da Cervejaria Backer, o rum Brasileiro Soledade Ipê da Cachaçaria Fazenda Soledade, lembrando também dos gins brasileiros que já são uma realidade e não é deste ano. Os bons continuam aí.

As chamadas bebidas mistas também marcaram presença, com a consolidação do Virgulino Ferreira Vermute Brasileiro, à base de vinho de jabuticaba e o vermute seco da Cia dos Fermentados, à base de mate, que inclusive, estão se organizando para a criação de uma categoria de vermutes brasileiros, o que exige uma alteração da lei atual, além de um curso marcado para fevereiro de 2020 onde contarão todos os segredos para a produção de um legítimo vermute brasileiro.

Porém a cachaça continua reinando absoluta no meu copo. Este ano foi um ano de revisão do setor, com novas marcas com um pensamento moderno e voltado para o mercado como a Arbórea Cachaça, e marcas já consolidadas como a Cachaça Tiê, evoluindo, modernizando e investindo em estrutura e inovação.

Inclusive diversas delas começaram a se unir em operações tanto para entrar em mercados no exterior, quanto para a divulgação institucional da categoria. Foi o caso da Cachaciá Brasil, que reuniu 7 produtores para levar um portfólio diversificado para Portugal e vem fazendo um belo trabalho.

Tivemos também do Experiência Pura Brasil, onde 10 marcas consagradas, de grandes e pequenos produtores, se uniram em um único stand para falar de cachaça para bartenders de todo o mundo durante o BCB São Paulo – Bar Convent Berlin São Paulo (consagrado congresso de coquetelaria que existe em Berlim, na Alemanha, e que este ano expandiu suas fronteiras para os Estados Unidos no BCB Brooklin e para o Brasil no BCB São Paulo).

A Experiência Pura Brasil mostrou ao público através de um audiovisual com as pessoas que realmente fazem a cachaça, um pouco da colheita da cana de açúcar, o processo produtivo, as diferenças, qualidades e quebraram o preconceito que ainda existe para com a cachaça com uma breve degustação no final. Tudo isso amarrado por diversas palestras e degustações que garantiram um lugar de destaque para a nossa bebida.

Já na metade do ano a cachaça fez bonito durante o Spirits Selection by Concours Mondial de Bruxelles, que itinerante, neste ano aconteceu do outro lado do mundo, na cidade de Lvliang, na China. Foram mais de 1700 amostras de destilados de mais de 50 países. E a cachaça representou bem nossa bandeira. Foi o 5º destilado em número de inscritos e a 3ª categoria em número de medalhas.

Além do prêmio especial de Melhor Destilado Orgânico do concurso que foi para a Cachaça Pai Vovô, outra nova cachaça produzida na Paraíba. É a segunda vez que esse prêmio é concedido e é a segunda vez que o ganhador é uma cachaça.

Fechamos o ano com a realização do 1º Salão e Congresso Brasileiro da Cachaça, em Vitória/ES, onde reuniu-se a nata da bebida brasileira com expositores das melhores marcas e um programa de palestras com os maiores especialistas do país.

A cachaça está cada vez mais presente nos copos e balcões do País e do exterior e se seguirmos em 2020 no mesmo ritmo, o ano promete. Saúde!

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