Paladar

“A”, “B” e “M”, da Caliterra

20 agosto 2014 | 17:32 por Marcel Miwa

Por Guilherme Velloso

A vinícola Caliterra é fruto da associação, em 1996, entre duas conhecidas “famílias” do vinho: Mondavi, do Napa, e Chadwick, dona da Errázuriz, do Chile. O nome é um acrônimo de “Cali” (calidad) e “terra” (tierra em espanhol). Oito anos depois do nascimento, na esteira da crise que se abateu sobre a Mondavi, os chilenos, liderados por Eduardo Chadwick, compraram os 50% da sociedade que pertenciam aos americanos. Com invejável patrimônio agrícola (1085 hectares de terra no vale de Colchagua, dos quais 276 plantados com vinhedos), a Caliterra produz três linhas de vinho, mais um, o Cenit, definido como “ícone”, o que hoje é quase lugar-comum entre as vinícolas mais importantes do Chile. Da linha top, Edición Limitada, acabam de chegar ao Brasil três exemplares que foram apresentados pelo enólogo Rodrigo Zamorano.


O enólogo da Caliterra, Rodrigo Zamorano/MARCEL MIWA

O corte “A”, que corresponde a “andino”, mescla Carmenère (46%) e Malbec (54%). O “B”, de “bordalês”, tem predominância da Cabernet Sauvignon (60% na safra à venda no Brasil), coadjuvada por Cabernet Franc (25%) e Petit Verdot (15%). Finalmente o “M”, de “mediterrâneo”, é um corte com 91% de Syrah, 6% de Viognier e 3% de Peit Verdot. A presença da branca Viognier no corte segue o modelo clássico da região de Côte Rotie, no norte do Rhône. E é este último o mais atraente dos três, confirmando a ascensão e o nível de qualidade que a Syrah vem alcançando no Chile. O resultado é um vinho redondo e gostoso, que prima mais pela elegância do que pela potência. Com muita fruta, acidez refrescante e taninos bem domados, é daqueles que convida a tomar mais um copo. Os três vinhos são da safra 2010 e custam R$ 162 a garrafa na Decanter, que importa os vinhos Caliterra.

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