Paladar

Concha y Toro lança coleção limitada com seis garrafas de Don Melchor

18 março 2014 | 16:22 por Carla Peralva

Por Guilherme Velloso

Don Melchor, vinho ícone da Concha y Toro, homenageia, ao mesmo tempo, um homem, um terroir e a uva mais associada ao Chile, seu país de origem. O homem é o próprio Don Melchor Concha y Toro, que fundou a vinícola em 1883. O terroir é o vale do Maipo, mais especificamente, o vinhedo de Puente Alto, aos pés da cordilheira dos Andes. E a uva a Cabernet Sauvignon, desde sempre a que melhor representa o vinho chileno de qualidade (a tentativa recente de alçar a Carmenère a esse posto é mais uma jogada de marketing do que um reconhecimento efetivo). Lançado ao mercado pela primeira vez em 1987, o Don Melchor completará seu trigésimo aniversário em 2017.

Mas a Concha y Toro decidiu não esperar até lá e, para celebrar as três décadas em que o vinho vem sendo produzido, está lançando uma edição limitada de 50 caixas com seis garrafas, correspondentes a seis diferentes safras: 1988, 1993, 1999, 2001, 2005 e 2007 (a safra atualmente à venda no Brasil é a de 2009).

FOTO: Divulgação

As diferentes safras permitem observar tanto as mudanças de estilo como a capacidade de envelhecimento do vinho. Nas duas safras mais antigas (88 e 93), a Cabernet Sauvignon reina sozinha, com 100% do corte. Nas quatro mais recentes, ela é coadjuvada, em diferentes proporções, pela Cabernet Franc: 7% em 1999; 9% em 2001; 3% em 2005 e 2% em 2007. Nos próximos anos, a elas deverão juntar-se pequenas parcelas de Merlot e Petit Verdot (a primeira chegou a entrar no corte do vinho em 1995, mas o antigo vinhedo foi erradicado e replantado em 1996, mesmo ano em que se plantou a Petit Verdot). Para Enrique Tirado, enólogo e diretor-técnico responsável pelo Don Melchor, a presença da Cabernet Franc contribui para uma “textura mais suave”, para “arredondar” o vinho, que, antes de chegar ao consumidor, passa, nas safras mais recentes, de 14 a 15 meses em barricas de carvalho frances (70% novas) e outros 18 meses em garrafa. Tudo somado, isso significa que entre a safra e a mesa decorrem, no mínimo, quase três anos.

Na comparação das safras, pode-se dizer que as duas primeiras (88 e 93), notadamente 1988, já deixaram para trás seu ponto ideal de guarda, o que se revela sobretudo na quase ausência de fruta na boca (que ressalta a acidez e resseca um pouco a boca) e em alguns aromas como o que lembra vermute, que aparece na primeira. 1999 ainda está redondo, ainda que apresente sinais claros de evolução (o halo com bordas cor de tijolo e as notas que remetem a couro/animal no nariz). Portanto, deve ser consumido logo, porque não deve melhorar mais. Já as três safras mais recentes (01,05 e 07) são um testemunho do nível que o vinho pode alcançar. As duas primeiras se destacam pelo perfeito equilíbrio entre potência (ótima acidez, muita fruta vermelha, álcool perceptível no nariz e na boca) e elegância, sobretudo os taninos finos e muito bem integrados à fruta e à acidez. Com 13 anos, o 2001 é um vinho hedonista, pronto para o consumo. O 2005 também, mas pode ficar ainda melhor com mais dois ou três anos em garrafa. Já o 2007 é o outro extremo do painel. Numa safra muito fria e de baixos rendimentos (2,5 toneladas por hectare), mostra grande concentração e potencial de evolução. A presença da madeira ainda é forte no nariz, junto com fruta madura e notas resinosas. Na boca, é o álcool que marca presença, sem desequilibrá-lo, pois conta com o respaldo da ótima acidez e frescor, da fruta e dos taninos ainda marcados, mas muito finos, formando um conjunto harmonioso e elegante. Muito bom para beber agora, recompensará quem esperar pelo menos de três a cinco anos com aromas ainda mais complexos e maior maciez em boca.

Para quem se dispuser a pagar R$ 5.000,00 por uma dessas caixas, cabe uma última informação. Segundo Francisco Torres, diretor comercial da VCT, a representação da Concha y Toro no Brasil, das 12 caixas destinadas ao país, hoje um dos três maiores mercados do Don Melchor no mundo, 10 já estariam previamente reservadas.

Tags:

Ficou com água na boca?