Paladar

Semana do Jerez

03 junho 2014 | 05:40 por Marcel Miwa

A tecnologia é uma faca de dois gumes mesmo. Em pleno shinkansen (trem bala japonês) entre Tóquio e Quioto tenho acesso à internet com velocidade altíssima.

E aproveito esta hora em trânsito para falar de uma das minhas grandes paixões no mundo do vinho: o Jerez.

Assim como a Malbec e a Grenache possuem os seus dias, algo como uma data de aniversário, o Jerez comemora a sua semana. De 2 à 8 de junho haverá uma programação de degustações e seminários sobre este fortificado andaluz e o Brasil não está de fora. No site isherryweek.com existem ao menos 5 eventos cadastrados que devem ocorrer em São Paulo.

Embora pouco conhecido, temos uma boa oferta de produtores de jereces disponíveis no mercado brasileiro. Vale provar, além do clássico e competente Fino Tio Pepe, outros estilos como Manzanilla, Amontillado, Palo Cortado, Oloroso ou Pedro Ximénez.

Para mim, o fascinante do Jerez é sua capacidade de combinar com uma série de ingredientes e pratos (pense na clássica combinação com tapas, onde podemos utilizar dezenas de diferentes produtos). Imagino que a ausência de notas frutadas e seu paladar extremamente seco e salino (não se assustem, o vinho é salgado) são mais próximos e similares aos sabores que encontramos na comida.

Meu trio de jereces para este começo de semana foi a Manzanilla La Cigarrera, o Fino “en rama” Fernando de Castilla e o Fino “en rama” Equipo Navazos. Como estou em outro país, aproveitei para provar vinhos que ainda não estão disponíveis no Brasil.

O Fino “en rama” nada mais é que o Jerez Fino (jovem e claro) que foi engarrafado sem filtrar. Com isso, as notas de flor (as leveduras típicas do Jerez) tendem a ser mais intensas. Costuma-se dizer que é um Fino para se beber o mais jovem possível, quando se pode notar a maior influência das leveduras. A questão não é pacífica e não existe uma regra absoluta. Embora não tenhamos nenhum exemplar de Fino “en rama” no Brasil, vale provar os Finos Puerto Fino de Lustau (na ravin.com.br), Emilio Hidalgo (na grandcru.com.br), Antique de Fernando de Castilla (na casaflora.com.br), Inocente de Valdespino (na zahil.com.br) e Tio Pepe de Gonzalez Byass (na inovini.com.br).

O Manzanilla é produzido nos moldes de um Fino, mas as botas (como são chamados os barris de Jerez) são amadurecidas na cidade de Sanlúcar de Barrameda, no litoral da Andaluzia. Devido à maresia, a camada de levedura (flor) se desenvolve com maior intensidade, deixando a textura do vinho mais delicada, com aromas mais intensos de fermento e salgado pronunciado. Vale provar o Manzanilla La Guita (importado pela zahil.com.br) e Hidalgo La Gitana (na mistral.com.br).