Paladar

Silencio de ouro

12 agosto 2014 | 18:35 por Marcel Miwa

Por Guilherme Velloso

Fundada em 1993, a chilena Viña Cono Sur é um braço totalmente independente do poderoso grupo Concha Y Toro, do qual faz parte. Ao longo dos anos, tornou-se conhecida sobretudo pela qualidade de seus Pinot Noir e pelos cuidados com o meio ambiente – de que são exemplo os aproximadamente mil gansos responsáveis por proteger os vinhedos do temido “burrito”, inseto que adora comer as tenras folhas das parreiras.

A aposta na Pinot Noir incluiu a contratação, como consultor, do francês Martin Prieur, do Domaine Jacques Prieur, e a construção, com sua assessoria, de uma instalação dedicada unicamente aos vinhos dessa casta, nos padrões da Borgonha. Desse esforço resultou, em 2003, o lançamento do Ocio, primeiro vinho premium da vinícola, 100% Pinot Noir. Hoje, segundo Adolfo Hurtado, enólogo-chefe e gerente-geral da vinícola, a Cono Sur é o maior produtor mundial de vinhos dessa casta, com aproximadamente 5 milhões de garrafas anuais.

Mas não foi a Pinot Noir que o trouxe ao Brasil recentemente. Hurtado veio anunciar o lançamento da primeira safra (2010) de um novo vinho ícone, só que, agora, à base de Cabernet Sauvignon, a uva mais associada aos grandes tintos chilenos. Nessa primeira safra, 2% de Carmenère entraram no corte final do Silencio, nome com o qual foi batizado. Para produzi-lo, foram vinificadas uvas de parcelas selecionadas de alguns dos melhores vinhedos do vale do Maipo, inclusive o de Puente Alto, que dá origem ao Don Melchor, da própria Concha Y Toro, com rigorosa seleção de cachos e bagos.

Após a fermentação, os vinhos de cada parcela permaneceram dois anos em barricas novas de carvalho francês. Ao final desse período foram selecionadas apenas nove barricas que entraram no corte final do vinho, o que resultou em aproximadamente 2.500 garrafas. O engarrafamento ocorreu em janeiro de 2012 mas o vinho só foi liberado para o mercado no início de 2014. Em outubro, chegarão ao Brasil apenas 250 garrafas, que serão vendidas ao preço de R$ 780 cada, um dos mais altos já cobrados por uma garrafa de vinho chileno (o Taita, da Viña Montes, também lançado no Brasil este ano, é pouco mais caro).


FOTO: Divulgação

Para quem quiser conhecer os vinhos da Cono Sur, sem entrar em “default” como a Argentina, recomenda-se procurar os da linha 20 Barrels, que oferecem relação preço/qualidade mais amigável, a começar pelo Pinot Noir 2011, boa alternativa ao Ocio que custa quase o triplo do preço. A La Pastina, importadora da marca, também traz o Chardonnay 2012 (ambos por R$ 125 a garrafa), que foi produzido usando uma técnica que Prieur já adota em seus brancos da Borgonha. O vinho é vinificado e fermentado em barricas novas de carvalho francês e nelas permanece até completar um ano. Mas antes, para evitar o aporte excessivo de aromas e sabores provenientes do carvalho, as barricas são enchidas com uma mistura de água e sal por três semanas, após o que são totalmente limpas para receber as uvas. O resultado, a julgar pelo 2012 à venda no Brasil, surpreende. O vinho não apresenta aqueles aromas às vezes quase enjoativos de baunilha e, na boca, mostra acidez equilibrada e um final com leve nota salina, influência do vinhedo do qual as uvas provém, situado a apenas sete quilômetros em linha reta do Oceano Pacífico.

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