Paladar

Taita, a nova aposta da Montes

27 março 2014 | 23:58 por Carla Peralva

Por Guilherme Velloso

Acaba de chegar ao Brasil o Taita, da Viña Montes, o mais recente vinho superpremium do Chile. Por superpremium entenda-se produção ínfima e preços estratosféricos (no caso, apenas três mil garrafas a quase US$ 500 cada). Mas também um cuidado artesanal em sua elaboração.

O Taita 2007, primeira safra desse vinho, foi concebido para celebrar os 25 anos da Montes, comemorados em 2013. O nome Taita foi escolhido por Douglas Murray, sócio-fundador e diretor comercial da Montes até morrer em 2010. E identifica o patriarca (pai, avô ou pessoa mais velha), que aconselha e orienta as gerações mais jovens.

FOTO: Reprodução

O vinho é produzido com uvas de uma parcela especial de oito hectares de um vinhedo de aproximadamente 400 hectares, em Marchigue, no vale de Colchagua, a apenas 25 quilômetros do oceano Pacífico. A parcela foi identificada a partir de um minucioso trabalho de pesquisa geológica conduzido por Aurélio Montes, fundador, presidente e principal enólogo da Montes, junto com Pedro Parra, o mais conceituado especialista em solos (“terroirista”) chileno. E tem características únicas, por ter sido, no passado, parte de um glaciar, que depositou grande quantidade de pedras no sub-solo. É por esse composto de granito e cascalho em decomposição que penetram as raízes das vinhas de Cabernet Sauvignon nele plantadas, em busca de água e nutrientes, já que o vinhedo é cultivado sem irrigação. O stress hídrico faz com que tanto os cachos como os bagos das uvas sejam bem menores, porém com maior concentração. Por estar perto do oceano, as temperaturas são mais baixas, o que possibilita um amadurecimento mais lento das uvas, que são colhidas manualmente.

O rendimento é muito baixo: apenas 3 toneladas de uvas por hectare. Os mesmos cuidados se repetem no processo de vinificação e, depois de pronto, o vinho permanece 24 meses em barricas novas de carvalho frances e, no mínimo, três anos em garrafa (quatro em sua primeira edição). Detalhe importante: a Cabernet Sauvignon sempre entra com 85% do corte. Os outros 15% são uma escolha pessoal (e secreta) de Aurélio Montes, que dependerá das condições de cada safra.

A grande pergunta é se o vinho pronto compensou todo esse esforço? A julgar pelo 2007, a resposta certamente é sim. Mesmo jovem, o primeiro Taita mostra grande complexidade aromática, com muita fruta madura, lembrando amora e mirtilo, leve floral e um toque sutil de café. Na boca, é um vinho encorpado, mas elegante (ótima acidez, muita fruta de taninos finíssimos), com um final longo, quase doce, e muito gostoso. Em uma palavra: sedutor. Quem tiver paciência para esperar de três a cinco anos antes de bebê-lo não se arrependerá. O cuidado com esse vinho é tão grande que Aurélio decidiu não produzi-lo na safra 2008. A próxima a chegar ao mercado será a 2009.

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