Paladar

Vin de Soif brasileiro

11 abril 2014 | 17:59 por Marcel Miwa

FOTO: Marcel Miwa/Estadão

Um dos temas mais polêmicos quando pensamos em vinho é seu preço. Apesar da subjetividade envolvida nesta questão (especialmente a capacidade financeira de cada um), sabemos que os vinhos no Brasil são demasiadamente caros. Tributos, margens, logística, armazenagem… todos têm sua parcela de contribuição. Mesmo com tantos obstáculos não podemos reclamar do número de rótulos disponíveis (já ouvi dizer em 15.000 e até 20.000 diferentes rótulos presentes no mercado) de diversas origens e em vários níveis de preço.

Quando estive na Serra Gaúcha para escrever sobre a safra 2014 tive o prazer de reencontrar um rótulo que não provava há algum tempo. Enquanto a enóloga da vinícola Lovara contava os dramas das condições climáticas neste ano e que chegaram a perder 60% dos frutos, serviram o Lovara Cabernet Sauvignon 2011. Obviamente é um vinho simples e sem pretensão, mas tem a virtude do equilíbrio, com a tipicidade da Cabernet (aroma de frutas vermelhas frescas, pimentão e especiarias), boa acidez e álcool que mal se percebe. Em uma época que vin de soif (vinho para matar a sede) se transformou em um estilo, podemos dizer que temos um bom exemplo de vin de soif brasileiro. O melhor? Ele tem preço adequado a essa proposta. Na vinícola é vendido por cerca de R$ 18 e no varejo em São Paulo podemos encontrá-lo ao preço médio de R$ 23.

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