Paladar

O salgado preço da salada

O salgado preço da salada

14 janeiro 2011 | 09:00 por Leandro Costa

Em feiras de São Paulo, preço da alface chega a R$ 3. Foto:Robson Fernandjes/AE

Quem foi à feira ou ao sacolão durante esta semana percebeu que o custo para se preparar uma salada subiu, e muito.

O alface e a rúcula dobraram de preço no sacolão da Rua João Moura, em Pinheiros, zona oeste da capital. O pé de alface, que até semana passada era vendido por R$ 1, nesta semana passou a custar R$ 2. A rúcula, que antes era comercializada a R$ 2, agora custa R$ 4. Em algumas feiras da zona sul, como as das ruas José Maria Whitaker e Carneiro da Cunha, era possível encontrar pés de alface por até R$ 3.

A alta é reflexo das perdas causadas pelo excesso de chuva nas áreas de plantio, que resulta em queda brusca da oferta e consequente escalada dos preços.

Em Mogi das Cruzes, região que concentra 35% da produção de hortaliças do Estado, fala-se em perdas na casa dos 60%. “Os produtores geralmente contam com uma quebra na safra nesta época, porém o volume de água excedeu todas as previsões”, diz o coordenador de agronegócios do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Renato Abdo.

Em Biritiba Mirim, município vizinho de Mogi das Cruzes e que produz cerca de 100 toneladas de hortaliças por dia, as perdas foram menores, em torno dos 30%, mas que ainda assim são consideradas grandes, segundo o agrônomo da Casa de Agricultura do município,  Júlio Toshio Nagase.

Mais que a alta dos preços, a chuva tem ainda reflexo sobe a qualidade da folhosas que chegam à prateleira. “Com alta umidade e temperaturas elevadas as plantas ficam mais suscetíveis ao ataque de doenças, diz Abdo. Por esta razão, os agricultores são obrigado a antecipar a colheita das plantas. entretanto, nem sempre isso adianta. O agricultor Luis Yano, que produz hortaliças em Mogi das Cruzes, diz que já nota essas ocorrências em suas plantas mais novas, que estão apodrecendo. “Se o clima continuar assim eu não vou conseguir colher”, afirma.

Os especialistas temem ainda que o desabastecimento se agrave nos próximos meses, mantendo a alta dos preços. Isso porque as chuvas deixaram o solo com excesso de umidade, o que impede que os produtores façam o preparo para o próximo plantio. “O ciclo produtivo foi quebrado”, diz Abdo.”Só se valva quem faz cultivo protegido, ou que trabalha com hidroponia”, completa Nagase.

Como a quantidade de produtores adota essas tecnologias de plantio não chega a 10% do total, a oferta tende a ficar mais restrita e o preço da salada ainda mais salgado.

Tags: