Paladar

Amarante – Portugal (junho 2007)

Amarante – Portugal (junho 2007)

03 julho 2007 | 00:56 por Jamil Chade

Amarante fica na região dos vinhos verdes e é a terra de Cláudio. A sua bela igreja aparece no logotipo de sua empresa, a Barrinhas Importadora. Uma cidade muito bonita, cortada pelo rio Tâmega, de águas claras, que deixam ver seus pequenos peixes.

Almoço espetacular, no restaurante Zé da Calçada, onde a cozinheira D. Rosa faz pratos tradicionais, como a espetacular feijoada trasmontana mais leve que a nossa (feijão roxo, com vários embutidos e muita couve) e um cabrito assado que derretia na boca.

Amarante
Vista do Restaurante Zé da Calçada

Na parte inicial do almoço, pequenas porções, como as tapas espanholas, entre as quais o bacalhau desfiado (punheta de bacalhau), orelhas de porco no vinagrete (gelatinosas, pesadas) favas à moda de Amarante (macias, ótimas) e aí por diante.

Os vinhos do almoço, começando pelos brancos:

Evel branco 2005
Ótimo aroma, mas não muito concentrado e com pouca acidez (85/100 pontos). Posteriormente, Pedro Silva Reis serviu o Evel 2006 para servir de comparação. Um outro vinho, muito mais fresco, melhor e mais apetitoso (88/100 pontos).

Muralhas
Um vinho verde importado pela Barrinhas, que agradou bastante. Feito na zona de Monção com as uvas Alvarinho (85%) e Trajadura. Um verde alegre, fresco. No ponto.

O cabrito e a feijoada foram muito bem com os dois tinto:

Quinta dos Aciprestes
Uma denominação de origem controlada Douro, 2004, com bastante corpo, meio rústico e ainda meio novo. Mais do que adequado para o cabrito (88/100 pontos).

Porca de Murça 2003
De Trás os Montes, já pronto para o copo, redondo, gostoso e bastante marcado pelo carvalho (87/100 pontos).

Rosado
No aperitivo de um dos jantares na Quinta do Cidrô, onde o grupo ficou durante dois dias e dois jantares, apareceu um dos destaques da viagem, um rosado.

Quinta do Cidrõ Rosado 2006
Um rosado que foi otimamente ao aperitivo, Elaborado com as uvas Rufete e Touriga Nacional. Cor muito bonita, lembrando as cerejas que estavam na época, Aroma potente, gostoso, que também evocava cerejas. Frutado, fresco, como deve ser um rosado leve. Esse vinho agradou bastante o grupo e foi servido em várias ocasiões, inclusive num almoço em torno da piscina da cinematográfica Quinta das Carvalhas, ao lado do rio Douro. O vinho certo no ambiente certo. Almoço com um bacalhau notável, que lembrava uma brandade francesa, com o bacalhau desfiado misturado com uma espécie de purê de batatas. Segundo Gregório, da Barrinhas, o Quinta do Cidrô rosado deve chegar logo ao Brasil. Um dos melhores rosados de Portugal, que tem tradição na elaboração desses vinhos.

Quinta do Cidrõ Reserva Pinot Noir 2005
Foi provado também nesse almoço na Quinta das Carvalhas. Um vinho que ainda não chegou ao mercado será o próximo lançamento da Real Companhia Velha. Promete bastante. A primeira safra desse tinto ainda deve evoluir, mas já demonstrou muita classe. Envelhecido em barricas novas de carvalho, cujo toque se percebe nitidamente, ainda um pouco demais. Um tinto elegante, quente, no qual o álcool ainda aparece um pouquinho. Vamos aguardá-lo (89/100 pontos).

Evel Grande Escolha 2004
Provavelmente o melhor tinto provado nesta visita do Alto Douro. Um vinho complexo, encorpado, com carvalho na medida certa. Algo mineral muito agradável. Longo. Na elite do Douro, Um vinho de guarda.

Real Companhia Velha Colheita 1953
Um Porto extraordiário, fino e que insistia em ficar na boca. Uma Colheita é feito com vinhos de uma só safra, como o Vintage. Mas eles envelhecem de modo diferente. O Vintage costuma ser engarrafado com perto de dois anos. Já o Colheita fica muito mais tempo nas barricas e fica mais claro. No fundo um tawny de um ano só. Na produção dos tawnies comuns, inclusive os com indicação de idade (10 anos, 20 anos, etc) costumam entrar caldos de vários anos.

Grandjo Late Harvest
Um vinho doce feito com uvas botritizada que foi servido com um foie gras na Quinta do Cidrô, seguindo a linha da clássica a combinação do foie gras com os Sauternes, o mais famoso e o melhor branco doce botritizados, feito com uvas atacadas por um fungo, a botrytis cinérea. Esse vinho fanes é feito com as uvas Sémillon, Sauvignon Blanc e, numa proporção bem menor, Muscadelle. Segundo Pedro Silva Reis, a Sémillon é a mesma uva Bual.

Ficou com água na boca?