Paladar

Bordeaux – Crus Bourgeois

06 agosto 2007 | 12:27 por Jamil Chade

O comércio de vinhos finos de Bordeaux foi seriamente abalado por disputas judiciais que levaram à suspensão das classificações dos châteaux da região de Saint-Emilion e a dos crus bourgeois do Médoc.

Bordeaux é a maior região de vinhos finos da França, abriga dezenas de denominações de origem controlada em suas várias sub-regiões, entre as quais as principais são: Médoc, Graves (Pessac-Leognan), Sauternes, Saint-Emilion e Pomerol.

Em 1855, apareceu uma das maiores idéias de marketing da história do vinho. Nesse ano, o imperador Napoleão III determinou que os courtiers (corretores) fizessem uma lista dos principais tintos da região do Médoc.

Na ocasião, foi estabelecida uma hierarquia de 58 exemplares, divididos em cinco categorias (premier cru, deuxième cru e assim por diante). Estava criada a aristocracia dos tintos do Médoc.

Essa lista de 1855 foi modificada uma só vez, em 1973 para elevar o famoso Château Mouton-Rothschild, para premier cru. Os outros châteaux dessa categoria superior: Château Lafite Rothschild, Latour , Margaux e Haut-Brion (Péssac-Leognan).

Nela, vinhos apenas do Médoc, que vem a ser uma sub-região de Bordeaux, com exceção do Château Haut-Brion, que era de Graves, mas já tão famoso que não poderia ficar de fora.

Um cru, na teoria é uma faixa de terra muito particular, que gera vinhos característicos. No caso de Bordeaux, um cru é um château, que vem a ser uma propriedade, uma fazenda. Teoricamente, cada château tem suas particularidades, não é igual a outro.

Foi um golpe de publicidade fenomenal e as expressões “cru classe” e “grand cru” passaram a garantir fama e publicidade, garantindo prestígio também para outras classificações regionais de Bordeaux, como as de Sauternes (brancos doces). Graves (Pessac-Leognan, tintos e brancos) e Saint-Emilion (tintos).

Os crus de Saint-Emilion eram divididos em três categorias: premiers grands crus, grands crus classées, e grands crus. A lei previa que a classificação de Saint-Emilion deveria ser refeita a cada dez anos. Em 2006, uma comissão reformulou a lista, promovendo alguns châteaux, rebaixando outros e excluindo alguns.

Como normalmente acontece, alguns proprietários que se julgaram injustiçados, entraram na Justiça, que suspendeu a classificação.

O resultado é que Saint-Emilion não tem mais uma hierarquia de crus, que grandes vinhos como os châteaux Ausone, Cheval Blanc e muitos outros não poderão mais ostentar em seus rótulos a expressão “cru classe” ou similares.

Segundo os especialistas, esses grandes vinhos não vão sofrer muito, pois já são conhecidos e respeitados. Já os mais obscuros grands crus, vão ser mais duramente atingidos sem a possibilidade de acentuar a sua classificação em seus rótulos.

Crus Bourgeois

Outra decisão judicial decretou o fim dos crus bourgeois, uma denominação que surgiu em 1932, de uma associação de donos de bons châteaux que ficaram fora da lista de 1855. Em contraposição aos aristocratas de 1855, os vinhos plebeus e mais acessíveis.

Esse sindicato dos crus bourgeois estabeleceu própria hierarquia, que passou a ser bastante útil para o consumidor, costuma indicar bons vinhos a preços não estratosféricos.

Em 2003 foi feita uma nova classificação dos crus bourgeois que incluiu dez crus bourgeois execepcionamneteels, 87 crus bourgeois superieurs e muitos e muitos crus bourgeois. Os vinhos incluídos nessas categorias poderiam usar essas expressões em suas etiquetas.

Novamente, alguns que não foram incluídos, notadamente alguns que foram excluídos. Bateram às portas do tribunal, alegando que a comissão que estabeleceu a nova hierarquia não era imparcial, uma vez que nela estavam alguns donos de châteaux.

Mais uma anulação e muitos pensavam que voltaria a classificação anterior à de 2003. Mas não, uma vez que as autoridades informaram aos produtores de Bordeaux no dia 10 de julho que a inscrição cru bourgeois não mais poderá ser usada.

Ficou com água na boca?