Paladar

Buenos Aires-Vinhos

23 abril 2008 | 11:49 por Jamil Chade

Os tintos argentinos estão cada vez melhores. Na última viagem (que espero não seja a derradeira) provei ótimos, dando preferência aos que ainda não estão no nosso mercado ou ainda são raros. Nessa “excursão etílica” tive um bravo guia, Eduardo Celestino, um conhecedor entusiasmado e sommelier-chefe da Cabaña Las Lilás, que ostenta uma carta de vinhos extensa e mais do que completa. Vamos passar meio rapidamente pelos principais vinhos que provei, quase todos da elite e bem caros:

Doña Silvina Reserva Malbec 2005 – Um tinto musculoso e que impressionou muito bem. Um ano de estágio em barricas de carvalho. Bom equilíbrio entre carvalho e frutas. A sua presença na boca é impressionante. Quente, mas não alcoólico. (14,5% de álcool e 91/100 pontos).

Dos Cielos 2005 – Um tinto curioso, feito por duas grandes vinícolas, de duas regiões diferentes: Lagarde, de Mendoza e Canale, de Rio Negro, Patagônia. Um vinho potente, mas não alcoólico, com ótimo aroma e presença na boca muito marcante. Equilibrado. (90/100 pontos e 14,3% de álcool).

Eral Bravo YBS 2005 – Um vinho de Mendoza, corte de Malbec (60%); Cabernet Sauvignon (30%) e Syrah (10%). Um ano de envelhecimento nas barricas de carvalho. Aroma de frutas vermelhas num fundo de carvalho espetacular. O ponto alto. Na boca, um pouco potente demais. Talvez falte um pouco de elegância e sobre um pouco de álcool. Levemente rústico. Mas o aroma é maravilhoso (91/100 pontos e 14,5% de álcool).

Antologia 10 2003 – Um vinho de elite da La Rural (Felipe Rutini). De Maipu, Mendoza. Um Malbec puro, com 15 meses nas barricas. Aroma potente, gostoso, muito elegante e equilibrado na boca. Álcool muito bem comportado. Não um arrasa-quarteirão, mas elegante e gostoso (90/100 pontos e 13,2% de álcool).

Chakana Reserva Malbec 2006 – Provado no restaurante Tomo I. A vinícola Chakana é uma nova estrela de Mendoza. Vinhos caprichados, feitos com uvas da sua propriedade, em Lujan de Cuyo. Aroma ótimo, com equilíbrio entre as frutas e o carvalho. Nenhum encobrindo o outro. Equilibrado e concentrado na boca. Já bebe muito bem, mas deve evoluir na garrafa. Também não arrasa-quarteirão. Toques de chocolate e de café. Complexo. (91/100 pontos e 14% de álcool).

Escorihuela Gascón Syrah 2005 – Um vinho agradável, não muito concentrado. Segundo o rótulo, estágio de nove meses no carvalho, que aparece discretamente. Aroma realmente muito bom, mas não dos mais intensos. Gostoso, simples e com taninos bem comportados (87/100 pontos e 13,6% de álcool).

Laborum Syrah 2003 – Feito pela vinícola El Porvenir de los Andes, em Cafayate, uma região de grande altitude, em Salta. Um vinho diferente, com muita fruta. O rótulo diz que ele passou pelo carvalho (oak aged). Evoluído, com muita fruta madura, talvez compotas de figo. Alcoólico e com o final meio agressivo (86/100 pontos e 13,8% de álcool).

Saint Felicien Syrah 2005 – Vinho vendido em copos na Cabana Las Lilas. Muito apropriado. Simples, gostoso e redondo. Final de boca um pouco ressecante. Não é grande, mas gostoso, leve e simples. (86/100 e 13,6% de álcool).

Durigutti Malbec Reserva 2003 – Um dos melhores vinhos que tomei na viagem. Um vinho de Lujan de Cuyo, Mendoza, já evoluído, com bastante madeira e fruta. Algo de chocolate com cereja na boca. Também licor de cacau. O tipo de vinho que enche a boca e deixa um retrogosto dos mais duradouros e gostosos. Potente, mas não alcoólico e enjoativo. Boa acidez. (92/100 pontos e 14% de álcool).

Los Alamos Reserva 2005 – Um vinho muito bom, com ótima relação qualidade preço. Aroma gostoso, agradável e ótimo com um churrasco. Madeira e fruta em bom acordo.
Eu acho a Catena a vinícola tope da Argentina, mas detesto a sua política de dar nomes diferentes e discriminar alguns países. De acordo com o site da vinícola, muitos vinhos da denominação Los Alamos que não encontramos no Brasil, como este, o Merlot, o Tempranillo e assim por diante. Por que tal discriminação? (86/100 pontos).

Para completar, no free shop do aeroporto de Ezeiza, encontro um vinho para mim inédito: Angélica Catena Zapata Merlot 2005. Comprei dois e me arrependo. Deveria ter comprado muito, mas muito mais. O melhor Merlot da Argentina do qual me lembro. Elegante, com madeira na medida certa, muita fruta e longo (91/100 pontos, 14% de álcool).

Ficou com água na boca?