Paladar

Cecília Torres

11 fevereiro 2007 | 22:14 por Jamil Chade

Cecília Torres foi eleita a enóloga do ano pelo importante Guia de Vinos de Chile e esteve em São Paulo para mostrar alguns de seus melhores produtos num almoço feito por Alex Atala, no DOM.

Cecília, sempre muito simpática e comunicativa, vinha conseguindo há tempos, ótimos resultados na Santa Rita, uma vinícola de ponta. O Guia de Vinos de Chile é uma ótima referência para o consumidor. Também costuma ser ótimo e respeitado o Guia de Patrício Tapias.

Na edição de 2007, muitos provadores (mais de 80) degustaram às cegas os mais de mil vinhos de vários tipos, estilos e preços, que foram classificados em quatro categorias, representadas graficamente por taças (uma taça, duas taças, …).

Neste ano, os vinhos de Cecília conseguiram a ótima média de 3,2 taças, entre os quais o Floresta Syrah 2004 e Santa Rita Casa Real 2005 foram eleitos os melhores em suas respectivas categorias.

Os vinhos da Santa Rita São importados pela Grand Cru (R. Bela Cintra, 3062 6388).

No almoço no DOM, Cecília informou que a linha Floresta não é fixa, vai mudando sua escalação conforme as safras. Assim, podemos ter um Syrah Floresta em 2006 e não em 2007 e assim por diante. Normalmente, vinhos de elite.

Os vinhos provados no almoço:

Floresta Sauvignon Blanc Casablanca 2006: fresco, muito típico, com boa acidez, potente, mas não alcoólico (90/100 pontos). Preço: R$ 85.

Santa Rita Medalla Real Chardonnay de Casablanca 2004: agradável, mas não impressionante, bastante marcado pelo carvalho e boa acidez, não enjoativo. Boa relação qualidade-preço (86/100 pontos). O Santa Rita Medalla Real do ano seguinte, 2005, foi escolhido o melhor Chardonnay pelo Guia de Vinos de Chile (R$ 69).

Floresta Syrah 2004: de Apalta, no Valle de Colchagua. Estágio de 14 meses em barricas novas de carvalho francês. Impressionante, concentrado, com ótimo aroma, potente, um pouco alcoólico, mas aveludado. Especiarias no aroma. Um pouco novo e tânico, pedindo mais tempo na garrafa, 14,5% de álcool (91/100 pontos) a R$ 140.

Floresta Apalta Cabernet Sauvignon 2004: ainda não está no mercado. Feito com uvas do Maipo e de Apalta. Consegue aliar potência e elegância. Ainda está jovem, mas já demonstra grande classe. A Carmenère entra no corte, com perto de 15% do total. 18 meses em barricas de carvalho. Longo, equilibrado (92/100 pontos). 14,5% de álcool.

Santa Rita Medalla Real Cabernet Sauvignon 2004: um vinho de uma linha intermediária da vinícola. Aroma bem “chileno”, com toques de pimentão, de menta, de eucalipto, que são comuns nos vinhos do país. 12 meses em barricas de carvalho, 30% dos quais, novos. Um pouco rústico e alcoólico. Taninos não muito sedosos. Algo de amargor ao final. 14% de álcool (85/100 pontos) a R$ 72.

Santa Rita Casa Real 2003: um Cabernet Sauvignon 100%, do Maipo e que passou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e mais um ano nas garrafas. Sempre entre os melhores chilenos, mas já provei exemplares melhores que este de 2003. Um vinho potente, talvez até demais, tânico e duro. Deve melhorar com o tempo (90/100 pontos). Ainda não disponível.

Os pratos preparados por Alex Atala para acompanhar os vinhos: salada de abobrinha com lagostim; vieiras com leite de coco e pimenta-de-cheiro; consomê de cogumelos ao perfume da Amazônia, fettuccine de pupunha à carbonara, paleta de cordeiro com farofa e quibebe, aligot (um purê de batata com queijo francês derretido) e torta fondant de chocolate ao creme de café.

Ficou com água na boca?