Paladar

Chez Saul – 04.05.2007 – Diaccuí

Chez Saul – 04.05.2007 – Diaccuí

06 maio 2007 | 21:27 por Jamil Chade

Para a jovem nutricionista Patrícia Miguel, o Diaccuí representa a oportunidade para colocar em prática com toda liberdade as suas idéias culinárias e servir as carnes exóticas de animais brasileiros, que aprendeu a gostar com seu pai, no Interior de São Paulo.

Seu restaurante é pequeno, simples, bem cuidado e com cozinha honesta, bem feita, sem grandes picos para cima ou para baixo.

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Ficou com água na boca?

Fica numa casinha de esquina da Aicás, com a Diacuí. O nome da rua pode ter vindo da índia Diacuí, que se casou, em 1952, com o sertanista Ayres Câmara Cunha numa cerimônia mais do que badalada, na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro (Diacuí e não Diaccuí, pois provavelmente as crendices da numerologia não haviam chegado ao sertão).

Ela foi chamada de “Cinderela dos Trópicos”, ficou famosa, mas o romance teve final trágico, pois ela morreu de parto no ano seguinte, no Alto Xingu.

Um restaurante simples, pequeno bem cuidado. Salão claro, várias mesas voltadas para a rua numa espécie de terraço lateral, protegido por lonas no teto .

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Os pratos com carnes consideradas exóticas não são tantos num cardápio conciso e eclético, com pratos de origens diversas, vários dos quais de inspiração italiana.

Como entrada, agradou a lingüiça de avestruz (delicada, sem exageros nos temperos, R$ 18).

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A capivara aparece em alguns pratos. Uma carne forte, diante da qual é difícil ficar indiferente. Alguns vão estranhar o paladar bem forte. Ela faz parte da “trilogia de carnes” (costeleta de cordeiro grelhada ótima, filé mignon um pouco seco e lascas de capivara, R$ 57). Outra opção: ragú de capivara com nhoque de sêmola (R$ 42). Patrícia planeja ampliar a oferta de carnes exóticas.

Gostoso, macio e bem temperado o “frango capão” preparaddo com laranja pêra e alecrim e servido com risoto de aspargos frescos (pedaços pequenos para um “capão” e risoto além do ponto, R$ 25).

Saboroso, mas também meio mole o risoto de abóbora e carne seca (bom equilíbrio entre o doce da abóbora e o salgado da carne seca, R$ 21).

Para terminar, um cheesecake de goiabada (bom, curioso, mas doce demais, R$ 10).

Serviço muito cordial, comandado pelo maitre Leydson. Vinhos com preços atraentes e muito bem escolhidos pelo criterioso conhecedor José Luis Alvim Borges. Produtos de uma só importadora, o que é uma pena. Também boas cervejas.

Onde: Al. Dos Aicás, 1.300, Indiapópolis, 5093 4994 (60 lug.).
Quando: 12h/15h e 19h/0h (sáb., 12h/16h e 19hh/0 h. Fecha dom., e 2ª à noite).
Quanto: Couv.: R$ 4,50 no almoço e R$ 9 no jantar. Cc.: A e V. Manob.: Só à noite, R$ 7.