Paladar

Chez Saul – D. Lucinha

03 abril 2008 | 18:34 por Jamil Chade

O D. Lucinha mudou um pouco o seu sistema de serviço. Agora está oferecendo também pratos do dia nos almoços, com preços que variam de R$ 14,90 a R$ 21,90 e, à noite, servindo os pratos mineiros à la carte, em porções reforçadas, para duas pessoas. Mas o tradicional bufê com os pratos da fazenda, mais elaborados e do tropeiro, que podiam ser feitos nas estradas, continua firme e impávido (R$ 28,90 nos almoços durante a semana e R$ 21,90 no jantar durante a semana e R$ 34,50 finais de semana). Muitos dos pratos oferecidos pelo cardápio podem ser montados com os ingredientes e preparações à disposição no bufê.

A decoração continua a mesma. Jeito de casa de fazenda, com varandinha na frente, salão retangular, com muitas cachaças em prateleiras, velhos rádios pendurados, quadros evocando Minas e um grande retrato do presidente Juscelino Kubitschek. O serviço continua é quase inexistente a carta de vinhos. É quase preconceituosa a idéia de que os pratos brasileiros não vão bem (ou não são dignons) com vinhos. Em compensação, ótimas cachaças.

A cozinha continua a mesma, o que é bom. Pratos mineiros econômicos nos temperos e nas pimentas, aligeirados e privados de gorduras na medida do possível. No bufê, altos e baixos inevitáveis. Alguns até ganham com o tempo nos fogareiros, como os ensopados tipo vaca atolada (costela de boi com mandioca) e a rabada, que estavam ótimas. Outros, vão ficando secos, no réchaud.

Também ótima a lingüiça caseira, não muito bonita, escura, meio rústica, mas saborosa e com pouco tempero (R$ 17 a porção). Crocantes, deliciosos, os torresmos (R$ 15 a porção). Pão de queijo saboroso (R$ 14 a porção).

D. Lucinha Nunes começou no Serro, onde morava a família e até hoje usa muitos ingredientes e temperos da fazenda.O casal Marcílio e Lucinha Nunes teve 11 filhos, vários dos quais trabalham nos restaurantes da família – dois em Belo Horizonte e a casa de Moema.

O serviço à la carte é mais adequado para grupos grandes, que podem dividir as porções mais do que generosas. Os pratos chegam à mesa em chapas quentes.

Muito bom, embora meio sem sal, a “galinha dos ovos de ouro (R$ 44, arroz com galinha, com um refogado de moela à parte, ótimo tutu de feijão, couve e ovo frito). Bom, mas meio insosso o feijão tropeiro (feijão misturado com um virado de ovo, lombo gostoso, torresmo e couve, R$ 43). Boa, porém pedindo um pouco mais de sal, a carne seca desfiada com cebola e pedaços grandes de abóbora, arroz, tutu de feijão e couve (R$ R$ 48).

Meio sem gosto a canjiquinha pedida como entrada. Ficou melhor combinada com o torresmo e com a lingüiça (R$ 5,80).

Nos almoços (segunda à sexta), o D. Lucinha está propondo os pratos do dia, que chama de mineirinhos. Entre eles, “Itacolomi” (lingüiça, tutu de feijão, arroz, salada, queijo e banana, R$ 14,90) e Serra do Cipó (picanha, arroz, feijão tropeiro, salada de couve e vinagrete, R$ 21,90).

Bufê de doces típicos, como a bananada e o doce de coco escuro, gostosos, com muito açúcar, como é de praxe.Para acompanhar, um muito bom Queijo do Serro, fresco, porém amarelado e cremoso.

Onde: Av. dos Chibarás, 399, Moema, 5051-2050 (100 lug.).
Quando: 12h/15h e 20h/0h (sáb., 12h/16h30 e 20h/0h; dom., 12h/17h).
Quanto: Cc.: todos. Manob.: R$ 10.

Ficou com água na boca?