Paladar

Confirmando a classe

14 fevereiro 2007 | 16:34 por Jamil Chade

Eu sei que já abordei o assunto, mas não posso deixar de lado esta degustação do grupo Amarante que deu um grande aval aos que considero os melhores tintos nacionais que já bebi: Miolo Terroir e Salton Desejo.

São dois vinhos originários da uva Merlot da excelente safra de 2004 e feitos com todo capricho, com longos estágios em barricas de madeira e nas garrafas.

Eu já havia provado e aprovado os dois vinhos, mas quis tirar a prova dos nove ao submetê-los aos grandes apreciadores e conhecedores desse grupo de amigos que se reúne há 23 anos para provar vinhos.

Ficou com água na boca?

A última reunião o grupo Amarante foi no La Brasserie Eric Jaquin e o tema era bastante livre: tintos de alto nível. Quando esse é o enfoque, as reuniões costumam ser muito interessantes, pois cada um leva um exemplar de classe para a degustação às cegas, sem saber a identidade dos vinhos.

Ousei colocar os dois nacionais no meio de grandes exemplares, que foram degustados pelos amigos Maria e Elie Karmann, Jorge Carrara, Clóvis Siqueira, José Oswaldo Amarante e Isídio Caliche.

Os dois nacionais não destoaram num páreo dos mais fortes e acirrados. Dei a nota 92 ao Miolo Merlot, que ficou em quarto na média do grupo e 88 para o Desejo, que ficou em sétimo.

O grande vencedor foi um Rioja venerando, um Reserva 890 Gran Reserva de 1975 da vinícola La Rioja Alta , que estava uma maravilha (93,8 na média do grupo).

Em seguida, nada menos que um Caymus Special Selection Cabernet Sauvignon 1992, um dos mais destacados dos Estados Unidos, que se mostrou magnífico, conseguindo conciliar elegância e potência (93 pontos na média).

O terceiro foi o Quinta de Monte d´Oiro Reserva Syrah 2001, que está entre os melhores dos melhores de Portugal (92,1 na média).

O Terroir Miolo foi o quarto colocado, elogiado por todos os participantes, que ficaram surpresos com sua identidade (91,8 pontos na média). Às cegas, pensei que se tratava de um Bordeaux de classe.

Agradaram ainda, e muito, o Quinta do Crasto Touriga Nacional 2001 (90,3 pontos) e o Desejo da Salton (87,3 pontos).

Em último ficou o Brunello di Montalcino Constanti 1990 (média 86,7).

Os vinhos acompanharam maravilhosamente os pratos de Eric Jacquin, notadamente um pato preparado no forno e servido com o molho do próprio assado. A sofisticação da simplicidade. Não é fácil fazer pratos simples, sem os disfarces dos molhos sofisticados e temperos marcantes.