Paladar

Cono Sur

Cono Sur

04 abril 2007 | 00:30 por Jamil Chade

Os vinhos da Cono Sur mudaram de endereço, passaram a ser importados pela Wine Premium, que vem a ser uma subsidiária da grande Expand. A Cono Sur, por sua vez, é uma subsidiária da gigante Concha y Toro, mas tem vida própria e seus vinhos costumam ter um ótimo nível.

Alguns vinhos dessa vinícola foram apresentados numa degustação conduzida pelo enólogo Adolfo Hurtado, um dos melhores e mais reconhecidos do Chile, escolhido o profissional do ano 2006 pelo ótimo e útil Guia de Vinos do Chile.

A Cono Sur tem vinhedos em várias regiões e instalações exemplares em Chimbarongo no Vale de Colchagua. Ela se destaca pelos tintos feitos com a Pinot Noir e faz o melhor da América do Sul, o Ocio, um vinho caro e que tem muita classe. Um Pinot Noir puro, com uvas do frio Vale de Casablanca (80%) e do mais frio ainda Vale de Leyda.

Ocio

Em sua elaboração, segundo o enólogo Adolfo Furtado, são mescladas técnicas modernas, como controle da temperatura, com outros tradicionais, como a pisa da uva pelos pés em lagares de aço inoxidável.

O célebre enólogo Martin Prieur (Jacques Prieur), da Bourgogne dá assistência técnica para a produção desse vinho. São só dez barricas por ano.

Na degustação, o Ocio, para usar linguagem de turfista, confirmou o prognóstico. Passa 17 meses em barricas de carvalho francês e a madeira apareceu na medida certa. Algo de vegetal no aroma. Um tinto com ótima acidez, redondo e longo. O grande defeito: o preço, R$ 348 reais (92/100 pontos).

Na degustação em São Paulo, Adolfo Hurtado fez questão de destacar a preocupação com o meio ambiente nas plantações da empresa, que evita usar insumos químicos e usa métodos naturais de controle das pragas. Em Chimbarongo, mais de mil gansos passeiam pelos vinhedos para comer minúsculos insetos. A vinícola aproveita os restos da vinificação para fazer em grandes piscinas um composto natural para adubar as lavouras.

Hurtado lembrou que a empresa tem vinhedos de Norte ao Sul do Chile, do Vale de Limari ao Norte, perto do deserto de Atacama ao Vale do Bio-Bio, na parte mais Sul do país, mais fria, passando por várias zonas do Valle Central, nos quais vem estudando a adaptação das cepas. A idéia é chegar às uvas ideais para as diferentes zonas.

A Cono Sur é uma vinícola de ponta e tem produtos em quatro níveis. A Wine Premium vai comercializar produtos de quatro tipos: Varietal Bicicleta (que tem por símbolo a bicicleta, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Riesling e Carmenère, que custarão R$ 23,80); a linha Reserva (Cabernet Sauvignon, Carmenère, Pinot Noir, Syrah, Merlot, Chardonnay e Gwewurztraminer, que custarão R$ 39) e a linha chamada 20 Barricas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Merlot, Chardonnay, e Gwewurztraminer, que deverão ter o preço de R$ 95).

Acima de tudo, está o Ocio. Poucos já estão disponíveis. Muitos deverão chegar em julho.

Além do Ocio, foram provados mais dois feitos com a Pinot Noir. O Cono Sur Pinot Noir 20 Barrels 2006 ficou um pouco abaixo do Ocio, mas demonstrou muita classe. (90/100 pontos). Do Vale de Casablanca, com toques tostados, revelando a madeira, algo floral e evocações de chocolate, de cacau. A madeira mais presente.

O Cono Sur Pinot Noir Reserva é bem mais simples, mas também agradável, fácil de beber (86/100 pontos). Feito com uvas de Casablanca (85%) e de Chimbarongo, Colchagua, com 10 meses em barricas, 40% das quais novas. Um vinho fresco, gostoso e simples.

Entre os demais tintos provados na ocasião, gostei mais do Cono Sur 20 Barrels Cabernet Sauvignon (feito principalmente com uvas de Puente Alto, no Maipo, onde são feitos o grande vinho da Concha y Toro, Dom Melchor). O Cono Sur 20 Barrel Merlot não me impressionou tanto. Algo de fermentação no aroma. Também coisas queimadas.

Os dois brancos: Riesling Bicicleta Riesling, do Bio Bio, razoável, (82/100 pontos) e muito agradável, típico, mais do que aromático, Cono Sur Gewurztraminer Reserva 2006, de Casablanca.