Paladar

De volta!

19 outubro 2008 | 22:15 por Jamil Chade

Boa mesa, aqui me tens de regresso para bater papo sobre alguns dos melhores prazeres da vida. Confesso que tenho sentido falta do contato com os leitores, das dicas, informações e até das espinafrações e diatribes contra os meus textos ou preferências gastronômicas. Este foi e será, por quanto tempo não sei, um blog absolutamente democrático. De gustibus et coloribus non disputandur, como já diziam os romanos para nos atazanar nas aulas de Latim, a língua mãe. Cada um gosta do que quiser e tem todo direito de expressar suas preferências. Ninguém, mas ninguém mesmo, tem o direito de impor gostos e preferências.

Quem gosta de um vinho popular, tipo Chapinha, tem tanto direito ao prazer quanto aquele que prefere um Vega Sicilia (entre os quais me perfilo). Afinal, pode-se gostar de um vinho, de um prato, de um determinado corte de carne pelas mesmíssimas razões que outros detestam. Uns gostam de tintos tânicos e potentes. Outros de brancos meio adocicados. O importante é pensar, é procurar saber a razão pela qual gostou (ou detestou) disto ou daquilo.

Devemos sempre fazer um esforço para “entender” e, principalmente, respeitar a opinião alheia. Nada desse negócio de dizer “não vi, não provei e não gostei”. Preconceito é burrice até em sua definição. Como se pode não gostar do que não viu ou não provou, sobre o qual não formou um conceito??? Será que é burrice ter preconceito contra preconceito?

Vamos deixar essas questões teóricas para passar ao que interessa. Esse longo intervalo sem matérias não foi propriamente opcional e, posso garantir, nada agradável. Felizmente, contei com todo apoio possível e a fase está passando. E vocês não têm idéia de quanto isso foi e está sendo importante. Admito que, em algumas horas, “meio cansadão” me deixei levar pela indolência natural e não encontrava muito entusiasmo para fazer o blog depois de escrever os roteiros do Guia do Estado de S. Paulo, a crítica semanal (Chez Saul) e, principalmente, a coluna sobre vinhos no excelente Paladar, que sempre me deu prazer e, que tem, sem nenhuma modéstia, muita repercussão. Adoro o vinho e acho que a coluna presta um bom serviço aos que também o apreciam.

Posteriormente, quando fui efetivamente obrigado a deixar temporariamente, pela primeira vez em décadas, a redação, veio a saudade também do blog. Eu abria o blog diariamente no meu laptop e estava lá (quando estava), uma coluna sobre os bons vinhos de Santa Catarina. Tudo bem, os vinhos mereciam, mas já estavam ficando velhos. Dava até vergonha. Ao mesmo tempo, fui pesquisando o que havia no computador: os livros que fiz, as matérias para outras publicações, as idéias que não passaram de idéias e o livro que estava fazendo sobre as combinações entre receitas e vinhos (será que ainda estou fazendo ou vai ficar para as calendas?).

As idéias sobre o que poderia ser feito no jornal e no blog eram ótimas formas de passar o tempo. Por que não sugerir os tipos de vinhos para determinados pratos do dia-a-dia, como um frango assado ou um pastel de queijo? Ou uma coxinha de frango? Por que não reunir numa só matéria várias receitas de mousses, patês e outros petiscos para fazer uma festa? Por que não ir colocando no blog os vinhos que eu for bebendo e tentando explicá-los, mostrando onde foram feitos, suas características, etc? Por que não ousar em receitas diferentes, ou outras bem simples, familiares?

Fui descobrindo que poderia ser divertido, desde que não levado a sério demais. A intenção é sugerir e não impor nada. A idéia básica é divertir, é ter prazer. Pode ser um pouco trabalhoso, mas só pode ser divertido, desde que tenha resposta. Falar sozinho não tem graça. A diversão vai embora com a falta dos pedidos, das sugestões, das correções, discordâncias e assim por diante.

A Bebel Baeta vai continuar informando, nas sextas ou aos sábados, as dicas sobre restaurantes e, de vez em quando, vou também entrar nessa: inaugurações, mudanças de chefs, melhores pratos de determinados restaurantes, onde comer uma boa massa e assim por diante.

Será que vai dar? Será que vamos nos divertir? Espero que sim …

Vamos em frente que o negócio é passar bem …