Paladar

Degustação Bourgogne – Cellar – Amadeus

28 março 2007 | 14:21 por Jamil Chade

Utilizando uma fórmula conhecida e um pouco desacreditada, pode-se dizer que nunca se bebeu tão bem na Bourgogne. Mas também é preciso dizer que continua muito difícil escolher bons produtos dessa região, separar o joio do trigo, pois ali o sublime convive com o rasteiro. Apenas um nome famoso num rótulo não basta. É preciso prestar atenção aos detalhes, ao nome de quem fez o vinho, a safra e outros detalhes. A Bourgogne é mesmo complicada.

A grandiosidade dos vinhos as Bourgogne foi reforçada (como se precisasse) pela generosidade do amigo Amaury de Faria, da ótima importadora Cellar, que organizou uma degustação-jantar memorável no restaurante Amadeus, reunindo três dos melhores classificados numa degustação do Grand Jury Europeen e também vários exemplares do excelente produtor Domaine Bertagna.

Para completar, um jantar magnífico, feito pela jovem e competente chef Bella Masano, no qual se destacaram uma lagosta finíssima, com um tempurá de rúcula (vou tentar fazer e depois conto para vocês) e um pernil de cordeiro maravilhoso, macio.

E não ficou só nisso, pois Amaury serviu também um Champagne espetacular, Larmandier-Bernier Vertus Grand Cru 2000 e um Sancerre tinto fora de série, do produtor Alphonse Mellot. Em Grands Champs 2004, que ficou dentro do tema, pois é, como os Bourgognes, é feito com a Pinot Noir, como os Bourgognes.

A “comissão de frente” da degustação já bastaria para fazer feliz quem gosta de vinhos: Clos de La Roche Michel Magnien 2003 (de Morey-Saint Denis); Clos de Tart Mommessin 2003 (de Morey Saint-Denis) e Chambertin Clos de Bèze da comuna de Gevrey-Chambertin), todos grands crus da Côte de nuits.

Na Bourgogne, os feitos em vinhedos classificados como premiers crus representam a elite e os dos grands crus a elite da elite.

Foram esses os classificados na degustação do Grand Jury Europeen, realizada em 2006. O Clos de la Roche 2003 foi o primeiro colocado nessa degustação, com média de 96,80 pontos.

Foi também meu melhor vinho (96/100 pontos, maravilhoso, difícil de definir com toques animais e de frutas vermelhas e de uma elegância espetacular; Chambertin Clos de Bèze 2003, 95,21 pontos dos jurados europeus e 94/100 pontos na minha pontuação (mostrou muito corpo, concentração e algo de animal, o que é comum em grandes da Borrgogne) e Clos de Tart 2003 (95,50 na média da degustação européia e 95/100 pontos na minha pontuação, um tinto elegante, redondo e elegante).

Entre os vinhos do Domaine Bertagna, uma vinícola tradicional, importados pela Cellar, o grande destaque foi um branco, Domaine Bertagna Corton-Charlemagne Grand Cru com aroma potente, evocando flores (manacá) e muito delicado (95/100 pontos).

Nenhum vinho que abaixo de obra de arte foi provado: Chambertin Grand Cru 2004 (potente, elegante, com aroma finíssimo, 94/100 pontos); Clos Saint-Denis GRand Cru 2004 (muito equilibrado, com muita fruta, evocando framboesa, 93/100 pontos), Nyuits Saint-Georges 1er Cru Les Murgers 2003 (um pouco fechado no aroma, mas uma delícia na boca, 93/100 pontos), Corton Lês Grandes Lolières Grand cru 2002 (potente mesmo, pedindo mais tempo na garrafa, um pouco alcoólico, 93/100 pontos) e Vougeot 1er Cru Clos de La Perrière 2004 (ainda muito novo, com aroma tímido, mas ótimo, 90/100 pontos).