Paladar

Malbec Argentino até R$ 20

24 de novembro de 2008 | 20h51 por Jamil Chade

Abaixo da faixa dos R$ 20 fica meio complicado encontrar bons tintos feitos com a Malbec, mas há alguns bem bons como o Norton e, principalmente, o Finca Flichman.

Na semana passada, abordarmos os Malbecs jovens (2006 e 2007) até a faixa de R$ 35, que ficam num nível considerável acima, mas demonstraram que poderiam melhorar com mais tempo nas garrafas. Também quase todos os baratinhos (até R$ 20) se mostraram jovens demais rústicos, demandando a companhia de pratos substanciosos, notadamente carnes vermelhas, para contrabalançar o tanino.

A Malbec, uva originária da França, pode ser a grande estrela do vinhedo argentino, mas só recentemente ela teve suas qualidades reconhecidas e começou a gerar grandes vinhos. Os melhores produtos feitos com a Malbec são “doces”, evocam geléias, frutas maduras, podem lembrar especiarias e também flores, notadamente a violeta. Sem dúvida, qualidades mais do que atraentes.Na Argentina, até pouco tempo, o importante era o consumo de vinhos correntes. Em 1970, o país bebia 91,66 litros por habitante ano. Quando o consumo de vinhos grosseiros caiu e o mercado começou a exigir produtos mais finos, a Malbec passou a ser valorizada e se consolidou como a melhor uva e a de mais prestígio do país. Hoje, é a uva fina mais plantada no país, com 20.381 hectares, dos quais 17.973 em Mendoza.

Finca Flichman Malbec Roble 2007
Onde encontrar: La Pastina. Telefone: 3383-7400.
Preço: R$ 18,90
Cotação: 87/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

Um tinto com excelente relação qualidade-preço. Passou três meses em contato com a madeira, o que deu um toque de maciez muito gostoso. Aroma muito bm e intenso. Belo equilíbrio entre o toque de carvalho e as frutas. Esse mesmo equilíbrio continua na boca, com o carvalho fazendo um ótimo pano de fundo. Um vinho agradável, redondo e achocolatado na boca. Álcool muito bem equilibrado. Boa acidez, macio, mas nada enjoativo. Apenas no final fica um pouco rústico, resseca um pouco a boca. 13% de álcool.

Condor Peak Malbec 2007
Onde encontrar: Magna Import. Telefone: 2113-0999.
Preço: R$ 19
Cotação: 84/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

Um tinto feito pela Andean Vineyards em Mendoza. Bastante escuro violáceo. Aroma agradável, porém não dos mais intensos. Aroma delicado, elegante, com algo floral, lembrando produtos de toucador. Na boca, dois tempos. Primeiro, uma sensação agradável de tinto redondo, macio e boa concentração. Fruta agradável nesse primeiro estágio na boca. Depois, essa fruta vai dando lugar a um aspecto mais rústico, mais tânico. Boa acidez, Nada enjoativo. Final de boca ressecante. Melhorou um pouco com o tempo no copo. O tipo de vinho que demanda uma companhia de um prato robusto para compensar o tanino e a rusticidade. Álcool bem equilibrado, nada exagerado. 13% de álcool.

Norton Malbec Línea Blanca 2006
Onde encontrar: Expand. Telefone: 3847-4747.
Preço: R$ 19,80
Cotação: 86/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Norton tem vinhedos em Perdriel, uma zona privilegiada de Lujan de Cuyo. Este (Línea Blanca) é um dos básicos e mais baratos Produzido em série para ser bebido despreocupadamente com um bom churrasco, por exemplo. Um tinto simples e gostoso. Bastante concentração de cor. Violáceo, como é normal em vinhos novos. Aroma dos mais atrentes e típicos, que melhorou com o tempo. Nele, algo de frutas, notadamente ameixas, o que é típico de bons Malbecs. Na boca, redondo, macio e que se deixa beber com prazer. Boa concentração, redondo e macio. 13,5% de álcool.

Trapiche Varietales Malbec 2007
Onde encontrar: Interfood. Telefone: 6602-7255.
Preço: R$ 19,90.
Cotação: 83/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Trapiche é uma das maiores vinícolas da Mendoza, fez história e passou por várias fases. Ela se destacou no tempo dos vinhos comuns, quando a quantidade interessava mais que a qualidade. Vinhos que eram despachados rapidamente para Buenos Aires e provados sem muita exigência, muitas vezes diluídos em água com gás. Suas instalações são espetaculares. Uma empresa que soube acompanhar os tempos, se adaptar à nova era de vinhos finos. Faz bons vinhos em vários níveis e preços, mas este não está entre os seus grandes destaques. Aroma tímido, pouco intenso. Na boca, melhora. Começa redondo, macio e com boa concentração. Mas vai ficando rústico e ressecante ao final. Taninos rústicos, mas não alcoólico. Amargor bastante sensível no final de boca. Poderá ficar mais manso com um tempo a mais na garrafa. 13% de álcool.

Ficou com água na boca?