Paladar

Malbec Argentino até R$ 35

30 novembro 2008 | 13:17 por Jamil Chade

Flávio, devo e não nego. Pago quando puder, ou seja, agora.

A Malbec é, de longe, a mais importante e provavelmente a melhor uva tinta da Argentina, mas seus produtos têm altos e baixos consideráveis. Aqui, ficamos com vinhos de base de várias vinícolas, com preços que se aproximam dos R$ 35 reais.

Uma degustação difícil, de vinhos que estão no mercado, mas que, de um modo geral, são novos demais. Potentes e tânicos, quase todos ganhariam com mais uns dois ou três anos na garrafa ou se tivessem sido decantados, passados para outro recipiente para entrar em contato com o ar e perder um pouco de suas arestas. Quase todos os vinhos provados eram de 2007, que não foi propriamente uma grande safra em Mendoza.

Em março deste ano, uma degustação semelhante, de tintos baratos feitos com a Malbec, porém mais velhos, agradou muito mais.
Os Malbecs mais jovens podem agradar os que gostam de vinhos tânicos, potentes e encorpados. São vinhos que pedem uma refeição, não ficam tão bem quando degustados sem companhia.

Os Malbecs podem ser provados jovens, mas é bom não exagerar. É mais prudente esperar uns três ou quatro anos para ele melhorar nas garrafas.
A Malbec é originaria da França, onde entra muito minoritariamente em alguns vinhos de Bordeaux e domina na denominação Cahors, cujos vinhos estão melhorando nos últimos tempos, mas tinham a fama de rústicos e duros.

Essa uva, sem dúvida nenhuma, é muito melhor na Argentina do que na França, onde o tempo não ajuda muito. Praticamente não chove nos vinhedos argentinos e os vinhateiros podem se dar ao luxo de esperar a hora certa para colher, quando as uvas estão realmente maduras, o que faz uma enorme diferença.

A Malbec pode ser encontrada em quase todas as regiões vinícolas, mas domina mesmo em Mendoza, a mais importante e a maior delas. Segundo o guia Vinos, Bodegas & Vinos, da Austral Spectator, em Mendoza, ficam 18.694 dos 20.381 hectares plantados com a Malbec na Argentina. A Bonarda é a segunda uva mais plantada no país, com 17.973 hectares, 15.132 dos quais em Mendoza.

Norton Malbec Lujan de Cuyo DOC 2005
Onde encontrar: Expand. Telefone: 3847-4747.
Preço: R$ 28,51
Cotação: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do suplemento Paladar de 6 de novembro.

A Norton é uma vinícola de ponta, cujos vinhos estão melhorando consideravelmente. Um tinto de denominação de origem controlada Lujan de Cuyo, uma das zonas privilegiadas para a uva Malbec. Vinhedos e instalações modernas em Perdriel. Segundo o rótulo, passou 24 meses em barricas de carvalho, que não aparece demasiadamente. Influência da madeira bem equilibrada por outros aspectos, como as frutas. Aroma realmente muito gostoso, complexo, com algo floral, mas não muito intenso. Fruta com a madeira ao fundo. Um aroma de classe, bem superior à impressão que causou na boca. Primeira impressão na boca gostosa, de vinho redondo, doce, cheio e intenso. Algo vegetal e alcoólico. Um tinto mais “maduro”, com algum tempo na garrafa. Também taninos meio rústicos. Deixou a boca um pouco ressecante. 14% de álcool.

Anúbis Malbec 2007
Ondc encontrar: Cantu. Telefone: 0300-210-1010.
Preço: R$ 30
Cotação: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do suplemento Paladar de 6 de novembro.

Um vinho do Domínio de la Plata,a vinícola de dois dos enólogos e viticulores mais respeitados de Mendoza, Susana Balbo e seu marido Pedro Marchevski. A vinícola e vinhedos ficam em Agrelo, mas este é feito com uvas que podem ser de qualquer parte da província de Mendoza (denominação genérica Mendoza). Um vinho gostoso, não tão rústico e mais para elegante. Cor muito intensa de vinho jovem. Aroma muito bom, não dos mais intensos. Agradou na boca. Primeira impressão das mais agradáveis, mas depois caiu um pouco. Álcool equilibrado, sem se destacar demasiadamente. Deve e melhorar com mais tempo na garrafa. Atualmente, taninos ainda ressecam um pouco a boca. Ganharia se tivesse sido decantado, transferido para um outro recipiente. 13,5% de álcoool.

Alamos Malbec 2007
Onde encontrar: Mistral. Telefone: 3372-3400.
Preço: R$ 35 (16,50 dólares)
Cotação: 85/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do suplemento Paladar de 6 de novembro.

Atenção para o preço, pois a importadora calcula o preço de acordo com o dólar do dia. Um vinho da Catena, na elite da elite das vinícolas argentinas. Os vinhos da linha Alamos representam uma espécie de segunda linha, de linha secundária dos vinhos mais caros e mais caprichados, que levam o nome da vinícola (Catena). Os Alamos são feitos em grandes quantidades, mais para o dia-a-dia. Vinhos decentes, bem feitos, mas sem maiores pretensões, como este Malbec de denominação Mendoza que, apesar de novo, agradou na boca. Aroma bom, mas não entusiasmante e nem muito intenso. Na boca, redondo, gostoso e não dos mais encorpados ou concentrados. Fácil de beber, apesar de ainda tânico. Álcool bem equilibrado, mas taninos meio duros, que deixaram a boca ressecada. Ganharia com uma decantação. 13,5% de álcool.


Kaiken Malbec 2007

Onde encontrar: Vinci. Telefone: 2797-0000.
Preço: R$ 36,57 (17,50 dólares)
Coração: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do suplemento Paladar de 6 de novembro.

Atenção para as variações de preço. A importadora calcula o preço final baseada na cotação do dólar. Quando foi selecionado este tinto ficava dentro dos preços estabelecidos para a degustação (até R$ 35). A Kaiken é dirigida pelo grande enólogo chileno Aurélio Montes (leia-se Montes Alpha e outros ótimos tintos e brancos). Um vinho da denominação genérica Mendoza. Aroma muito gostoso, complexo, mas pouco intenso. Uma boa mescla de chocolate, provavelmente originário de um estágio no carvalho, com frutas. Na boca, esse chocolate aparece também. Melhor no aroma. Outro que ganharia com mais tempo ma garrafa e também com uma passagem para outro recipiente (decantação). Meio rústico, com taninos ressecantes. Também alcoólico demais. O álcool se destaca demasiadamente na boca. 14,5% de álcool.

Ficou com água na boca?