Paladar

Oi nóis aqui outra veiz (d´aprés Demônios da Garoa) – parte II

05 outubro 2007 | 19:27 por Jamil Chade

Continuação de post de ontem sobre os vinhos da viagem a Bourgogne.

Tintos

Bourgogne Joseph Drouhin tinto 2005
O tinto de batalha da empresa, o mais simples, de denominação genérica Bourgogne. Bom, mas sem entusiasmo. Boa fruta, equilibrado e agradável. O que se espera de um bom Bourgogne genérico. (84/100 pontos).

Gevrey-Chambertin Joseph Drouhin 2005
Um villages, comunal e não um premier ou grand cru. Aroma vegetal. Muita cor. Adstringente, meio duro. Deve melhorar. Taninos deixam a boca meio seca (87/100 pontos).

Clos des Mouches Joseph Drouhin tinto 2005
Um belo vinho, com aroma potente, com muita fruta e aspectos animais (algo de couro). Elegante e com final evocando coco (madeira). (91/100 pontos, 13,5% de álcool).

Charmes-Chambertin Joseph Drouhin Grand cru 2005
Um vinho da categoria superior (grand cru). Potente, redondo tânico. Mais potência, mas não tão fino quanto o Clos des Mouches. Deverá ser grande daqui alguns anos. (90/100 pontos, 13,5% de álcool.).

Almoço

Depois da degustação, almoço no Le Bistrot du Bord de l´Eau (uma espécie de segundo restaurante, que só serve almoço) do Relais s et Chateau L´Hostellerie de Levernois, estrelado no Guide Michelin (Rue do Golf, 2120, Levernois, tel. 03 80 24 89 58 – www.levernois .com/bistrot).

Um lugar lindo, cheio de charme, ao lado de um regato de águas límpidas, que deixavam ver os peixes nadando. Menu bem restrito (três pratos principais).

Vinhos do almoço:

Chablis Domaine de Vaudon Joseph Drouhin 2006
O rótulo cita um vinhedo, mas se trata de um Chablis genérico e não um premier cru. Um belo vinho, concentrado, elegante (89/100, 12,5% de álcool).

Clos des Mouches Joseph Drouhin branco 2004
Ótimo, mas achei que o 2006 tinha mais fruta, frescor e vida. (90 /100 pontos, 13,5% de álcool).

A garrafa do Clos de la Roche Joseph Drouhin 2000 apresentou um problema, detectado por Gerald. Mesmo os grandes vinhos podem ter problemas. Ele o substituiu por um Charmes-Chambertin Joeph Drouhin Grand Cru 1998, que estava ótimo, mas jovem demais. Um infantidício, no dizer de Gérald. Austero, fechado, com evidentes notas animais. Também deverá ser grande.

Le Montrachet
Um espetáculo o Le Montrchet Marquis de Laguiche 2000, ainda sem rótulo, que o Gerald serviu no vinhedo de Montrachet, entre as videiras, num dia meio chuvoso, mas bem claro. A Drouhin controla perto de 30% do vinhedo desse grand cru. Aroma espetacular, sem exagero de madeira, longo, complexo. Não é à toa que esse vinho é tido como um dos melhores, talvez o melhor branco seco do mundo. Um raro privilégio, difícil de descrever pelas suas características, mas também pelas circunstâncias (local e companhias) que foi aprovado.