Paladar

Os Prazeres do Vinho

13 dezembro 2007 | 11:31 por Jamil Chade

Vamos falar mais em vinhos, ou melhor, sobre os prazeres do vinho. A idéia me perseguia há um bom tempo: por que não compartilhar com os leitores deste Blog os vinhos que venho provando? Vamos simplesmente contar aqui, numa linguagem informal, como quando e como provei este ou aquele vinho, as sensações que ele deixou. Simplesmente vou tentar mostrar como é aquele vinho, e as razões pelas quais gostei (ou desgostei) dele. Afinal, posso gostar de um produto pelas mesmas características que você pode odiá-lo.

Tudo informalmente, como numa conversa de bar, como convém ao assunto, sem a menor pretensão de fixar regras, normas ou de dar uma palavra final. Aliás, quando se fala em vinhos, NUNCA há uma palavra final, mas sim opiniões, que podem ou não ser bem sustentadas. Só uma opinião importa, a sua.

O vinho só existe para dar prazer. Se ele deu prazer, cumpriu sua função, independentemente de regras cânones e opiniões alheias. Costumo dizer que o vinho precisa descer do pedestal no qual foi colocado por alguns esnobes e pretensos entendedores e ser colocado em seu lugar, que é o copo. Nada mais chato que um esnobe do vinho, que fala pomposamente, como se ele fosse o único ungido a entender termos herméticos.

Uma das coisas mais gostosas do vinho é falar sobre ele, trocar impressões. Muito bem, a idéia pode ser boa, mas também tem seus problemas. O primeiro deles é vencer a natural, gostosa indolência e botar a mão na massa, ou melhor botar o vinho no papel.

Uma coisa é ter o prazer de beber. Uma atividade típica de seres superiores, como nós todos. Outra coisa é escrever. Prazer é prazer. Escrever é trabalho (pelo menos para mim).

Outro problema está no modo de escrever, começando pela identificação do vinho (nome, origem, safra, cor, etc). Felizmente, tenho a sorte de trabalhar onde e com o que gosto. Assim, para identificação dos vinhos vou usar basicamente a fórmula da coluna Tintos e Brancos, pela qual nunca deixo de agradecer os amigos. Anélio Barreto e Roberto Gazzi. Foram eles que, ainda no tempo do Caderno 2, bolaram a coluna, que ganhou uma outra dimensão no lindo e gostoso (no sentido literal do termo) Paladar. Eventualmente, poderei omitir um ou outro detalhe, como o preço. A coluna tem uma data, que serve de referência para o preço. O mesmo pode não acontecer com um vinho comprado há anos, ou provado na casa de um amigo.

Espero a ajuda de vocês para ir aperfeiçoando as fórmulas. Toda opinião é importante e será muito bem-vinda. Assim, vamos começar com uma “overdose”, com uma série grande de degustações e de provas para testar a coluna “Os prazeres do vinho”.

O nome pode soar óbvio demais, mas só o prazer justifica o vinho. Além disso, me dá sorte. O meu primeiro livro de receitas se chamou “Os prazeres da mesa” e foi muito bem aceito. Além disso, não deve ser assim tão ruim, pois foi até aproveitado por uma bela revista, onde trabalham muitos amigos e que está conseguindo o sucesso que merece.

O vinho dificilmente é um prazer solitário. Provar sozinho uma boa garrafa tem seu valor, mas é sempre melhor em boas companhias, como a de todos vocês.

Aguardo as opiniões.