Paladar

Ótimos Rosados da Espanha

31 março 2009 | 02:09 por Jamil Chade

O rosado continua na moda e passando por um círculo virtuoso, melhorando a cada dia em muitos países, entre os quais se destaca a Espanha, onde tem longa tradição e é consumido com valentia, favorecido também pelo modo de vida de muitos espanhóis, que gostam de beber despreocupadamente com os amigos consumindo “tapas”, pequenas porções servidas em muitos bares.

Em Madri, esses bares de tapas fervilham principalmente na pausa para o almoço e ao fim do dia, depois do trabalho. São ambientes animados, barulhentos, gostosos e informais, que favorecem vinhos igualmente descontraídos, como os rosados. O número de tapas é infinito e são comuns as tortillas (que lembram omeletes); os pães com presunto, salames e outros embutidos e as que utilizam frutos do mar, como polvo, camarões peixes, conservas, etc. As tapas são colocadas em pratinhos no balcão que os freqüentadores pegam diretamente.

Opções de rosados não faltam, dos mais encorpados, algumas vezes com passagens pelas barricas de carvalho (mais raros), aos ligeiros, frescos, ideais para beber despreocupadamente. Todos devem ser provados jovens.

Basicamente, onde há uvas tintas, há a possibilidade de fazer rosados que são, no fundo tintos interrompidos. O que dá a cor ao vinho é a casca da uva. Na fermentação de um tinto, as cascas ficam longamente em contato com o líquido para “pegar” a cor. Num rosado, as cascas são separadas depois de um espaço de tempo consideravelmente menor.

Na Espanha a Garnacha, uva do Mediterrâneo, que gosta do calor, é a principal para compor rosados. Ela aparece em várias regiões muitas vezes em cortes, aos quais costuma emprestar potência, álcool. A tinta mais plantada no mundo, que se concentra principalmente na Espanha e que também tem presença importante no Sul da França (Grenache).

Encontramos rosados em quase todas as denominações da Espanha, mas a Navarra, ao Norte, vizinha da Rioja, há muito, tem uma posição de destaque. Ali, a Garnacha ocupa mais da metade dos vinhedos. Há ainda uma multiplicação de rosados na Rioja, a excelente zona onde os tintos (e rosados) costumam ser feitos com misturas de Tempranillo (majoritária, de mais classe) e Garnacha.

Além dos citados, agradou também o Enate Cabernet Sauvignon Rosado 2006 de Somontano, também no Norte do país. (R$ 48 na Expand, 3847-4747).

Gran Feudo 2007
Onde encontrar: Mistral. Telefone: 3372-3400.
Preço R$ 43,28
Cotação 87/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do dia 19 de março no caderno Paladar, do Estadão.

Um rosado que vem mantendo um bom nível há tempos. O tipo de vinho ideal para beber despreocupadamente com os amigos. Da Julian Chivite, um grande e conceituado produtor da denominação Navarra, que tem longa tradição na elaboração de rosados. Um puro Garnacha, que é mesmo muito usada em tais vinhos. Um vinho de um rosado claro, muito agradável na boca. A primeira impressão foi apenas razoável. Aroma meio tímido, que demorou para aparecer um pouco. Melhorou consideravelmente na boca. Muito refrescante. Leve, não dos mais concentrados e bem seco. O tipo de vinho ótimo par bebericar, pedindo sempre o próximo gole. Deixou sensação agradável, de boca limpa e refrescada. 12% de álcool.

Torres De Casta 2006
Onde encontrar: Empório Frei Caneca Telefone: 3472-2082.
Preço R$ 49.
Cotação: 87/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do dia 19 de março no caderno Paladar, do Estadão.

A Torres é uma das maiores e melhores produtoras da Espanha. Um grande nome no mundo dos vinhos, com produtos de muitos tipos e preços. A denominação de origem é Catalunya, um tanto genérica. A Catalunha é uma grande região, com muitas sub- regiões e denominações mais específicas. Em sua composição, segundo o rótulo, 65% da Garnacha e 35% de Cariñena, duas uvas bastante difundidas na Espanha. Cor bem pronunciada, evocando cereja. Bem escurão. Aroma bom, porém pouco intenso. Aroma evocou algo vegetal. Na boca, parecia outro vinho, com um bom corpo para um rosado. Pode ser servido ao aperitivo e com vários pratos. Algo de groselha. Ficou sensação frutada e gostosa na boca. 13% de álcool.

Conde de Valdemar 2007
Onde encontrar: Mistral. Telefone: 3372-3400.
Preço: R$ 49,45
Cotação: 90/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do dia 19 de março no caderno Paladar, do Estadão.

Um rosado muito acima da média, ótimo para bebericar e melhor para a mesa. Provavelmente o melhor que provei nos últimos tempos. De Rioja, uma das principais denominações da Espanha. A Garnacha domina em sua composição (85%) complementada pela Tempranillo a grande uva tinta da Rioja.Começou a agradar pela aparência. Cor de cereja bem viva, muito bonita. Aroma intenso, gostoso, frutado, lembrando groselha. Continuou no mesmo nível na boca. Ataque impressionou pela concentração de sabores e foi mantendo a qualidade até o final. Ao mesmo tempo encorpado e refrescante, com ótima acidez. Nuito equilibrado. Deixou gosto mais do que atraente na boca. 13% de álcool.

Protos 2007
Onde encontrar Península. Telefone: 3822-3986.
Preço: R$ 58
Cotação: 89/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos do dia 19 de março no caderno Paladar, do Estadão.

A Protos reúne bons produtores de Ribera Del Duero. Uma cooperativa que foi transformada com sucesso em empresa privada. Elaborado exclusivamente com a uva Tinta Del País, que é o nome local da Tempranillo. Cor intensa. Bem escurão para um rosado. Aroma de primeira, complexo e potente. Frutas e também evocações florais. Na boca, cumpriu o que o aroma prometeu. Excelente para bebericar e com corpo suficiente para acompanhar alguns frutos do mar. Frutado, perfumado, leve e concentrado. Ótima acidez, refrescante. Frutas tropicais e evocações de morango na boca. Jovem, gostoso e longo. Paladar perdurou muito agradavelmente na boca. 13,5% de álcool.

Ficou com água na boca?