Paladar

Restaurante Rong Hee

11 junho 2007 | 17:22 por Jamil Chade

No Restaurante Rong Hee de massa chinesa, primeiro vem o mais do que interessante espetáculo proporcionado pelo chef Yang ao abrir com as mãos a massa chinesa numa “cozinha- palco” limpa e bem cuidada.

Depois, chega a hora do prazer de provar os vários pratos feitos com essa massa, notadamente o macarrão apimentado com frutos do mar e carne de porco, o carro chefe do restaurante, que é simples, bem cuidado, com personalidade, especializado na cozinha de Shandong, notadamente nas massas.

A chinesa “Sandra”, nome adotado no Brasil, antes só cozinhava para grupos especiais, em casa. Recentemente, ela montou seu restaurante que é claro, simples, com duas estatuas típicas de cristal na entrada, quadros e leques chineses nas paredes. Ela quase não fala português e conta com a ajuda de Antonio, o gerente, uma espécie de factótum, que conhece muito bem os pratos, “traduz” alguns pedidos e até cuida da divulgação da casa.

Para a cozinha, Sandra escalou o seu sobrinho Yang, craque na arte de fazer as massas e molhos. É impressionante ver como a massa dá a impressão de flutuar no ar em suas mãos, enquanto ele vai esticando, virando, dando laços até chegar às formas desejadas.

Um restaurante chinês para quem está cansado de clichês, de receitas como frango xadrez, porco agridoce e quetais. Nada disso no bagunçado cardápio da casa, com preços escritos em etiquetas adesivas. Preços atraentes, por sinal.

O ideal é organizar um grupo grande para dividir e provar o maior número possível de entradas, guiozas e massas. Quase todas as entradas a R$ 5. Ótimas: massa folhada de feijão verde com kani e um molho de gergelim que lembra o tahine; amendoim cozido com cinco temperos chineses (aroma de anis se destaca); algas marinhas desfiadas, tofu frito com estragão fresco e lascas de pimenta vermelha (a inspidez do tofu contrabalançado pela erva e pimenta); amendoim frito com vinagre e pepino em tiras com kani (refrescante). Apenas não gostei do bucho frio em corte de 60 folhas (aroma forte).

Excelentes as massas quase transparentes, meio gelatinosas feitas no vapor. Delicada a recheada com carne de porco e um caldinho (R$ 12) e muito original o guioza duplo, dividido em duas “cestinhas”, uma com carne de porco moída com molho e outra carne porco, camarão, vegetais (R$ 14). Bom, mas meio insosso o pastel frito e posteriormente assado para ficar sequinho, recheado com nirá e camarão (R$ 10). Excelente o enroladinho recheado carne bovina (várias peças retangulares R$ 10).

O macarrão tipo spaghetti, redondinho, com molho frutos do mar, carne de porco com molho apimentado já pagaria a visita (R$ 16). Excelente, no ponto, saboroso, picante sem ser agressivo. Esse prato combinou muito bem mesmo com um dois vinhos doces alemães, Dr. Loosen Ürziger-Würztengarten 2005, Riesling Kabinett, de alto nível (o docinho contrabalançando o picante) e Forten Mariengarten Riesling Kabinet 2003 da Weingut Eugen Muller.

Para terminar um doce que não é nada doce, uma massa tipo cabelo de anjo moldada formando ninhos R$ 12. Uma maravilha. Para “temperar”, açúcar e canela servidos ao lado.

Onde: Rua da Glória, 622-A, Liberdade, 3275 1986 (90 lug).
Quando: 11h30/15h e 18h/22h30 (Fecha 2ª).
Quanto: Cc.: V e M. Estac.: convênio com estacionamento vizinho, R$ 4, três horas (R. da Glória 660).