Paladar

Tannat, a marca registrada do Uruguai

22 abril 2008 | 00:38 por Jamil Chade

Reprodução de coluna publicada no suplemento Paladar em abril de 2008. Na publicação no jornal, por um erro meu, na ficha técnica do Cisplatino saiu errada. O importador é a Mistral (telefone: 3372-3400) e não a Cantu. Minhas desculpas.

A uva Tannat é uma espécie de marca registrada dos tintos do Uruguai, que estão melhorando bastante. Ela costuma entrar sozinha na produção de tintos encorpados e também são comuns os cortes com outras uvas,como nesses vinhos com preços atraentes, abaixo do patamar dos R$ 30.

A Tannat foi levada meio por acaso para o Uruguai pelo imigrante basco Pascal Harriague e acabou se dando muito bem mesmo em todas as regiões do país. Ela é originária do Sudoeste da França, onde dá o Madiran, um vinho de classe, de grande corpo, robusto e que pede anos na garrafa para demonstrar a sua classe.

No Uruguai, foi o mercado que determinou a localização das principiais vinícolas, que se instalaram perto de Montevidéu, a maior concentração populacional do país. Hoje, essa região Sul concentra perto de 84% da produção do país.

Durante muito tempo, o mercado interno absorvia quase toda a produção do país, que não se destacava muito em termos de qualidade. O consumo interno continua significativo (29,2 litros por habitante ano, o 13º do mundo), mas a exportação passou a ser crucial. O mercado brasileiro é o maior cliente natural, já consome 50% do total exportado. Essa proporção pode crescer, pois os vinhos costumam ter preços relativamente atraentes e a qualidade, vem evoluindo.

Como acontece habitualmente, as condições naturais ajudam a explicar a propagação das diversas espécies. A Tannat caiu como uma luva no Uruguai, pois produz bastante, é aromática e seus vinhos têm muito corpo. A planta dessa uva tem ciclo curto. No Uruguai, como no Brasil costuma chover na época da colheita, o que não é nada bom. As uvas que amadurecem mais cedo são, naturalmente as mais adequadas. Pois podem ser colhidas antes do período habitual de precipitações. As tardias, como a Cabernet Sauvignon não são tão prezadas.

Tannat e Merlot são relativamente precoces e se completam em muitos cortes. No caso a Merlot entra para “amaciar” a Tannat a gerar vinhos ais atraentes e suaves. A Merlot, de certa forma, “doma” a Tannat.

Don Pascual 2006
Onde encontrar: Expand, Televendas: 3847-4747.
Preço: R$ 19
Cotação: 88/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos publicada no suplemento Paladar em abril de 2008. O preço e a disponibilidade são dessa época.

Feito pela Juanicó, uma das maiores e mais caprichadas vinícolas do Uruguai, que vai dos produtos mais comuns aos mais caros do páis. Só trabalha com uvas de seu grande vinhedo, que fica bem perto de Montevidéu. De um mirante nos vinhedos, pode-se ver a capital. Este é um corte bastante feliz da Tanat com a Merlot, que tem excelente relação qualidade-preço. Encorpado e concentrado, mas não agressivo. Aroma potente, complexo, intenso com várias nuances. Novo e pronto para o consumo. Na boca, redondo, concentrado elegante, Um tinto gostoso, que enche a boca e que me lembrou, ao longe, uma goiabada. Intenso e bastante longo. Deixou sensação agradável e duradoura na boca. 12,5% de álcool.

Cisplatino 2005
Onde encontrar: Mistral – R. Rocha, 288, 3372-3400.
Preço: R$ 20,59.
Cotação: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos publicada no suplemento Paladar em abril de 2008. O preço e a disponibilidade são dessa época.

Mais um vinho da vinícola Pisano, feito em Progreso, Canelones. Relação custo benefício muito boa. Um tinto “sério”, mais encorpado e concentrado. Mais um corte de Tannat (majoritária) com Merlot. A idéia, como sempre contrabalançar com a suave Merlot e potência, agressividade e tanino da Tannat (tânica até no nome). E bem consegue esse intento, pois apenas ao final é um pouco agressivo. Aroma bom, foral, mas não intenso. Foi melhorando com tempo no copo, o que é natural, mas não chegou a ficar intenso. Agradou mais pelo toque floral do que pela potência. Um vinho concentrado, com bom corpo, redondo, mas não enjoativo. Potente, mas com álcool bem equilibrado. Final um pouco ressecante. 13,5% de álcool.

Carlos Montes 2005
Onde encontrar: Casa Flora, Rua Santa Rosa, 207, Brás, 6842-5199.
Preço: R$ 24.
Cotação: 85/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos publicada no suplemento Paladar em abril de 2008. O preço e a disponibilidade são dessa época.

A vinícola Montes Toscanini fez este vinho em Las Piedras, em Canelones, na região Sul, de longe a mais importante e que fica perto de Montevidéu. Um corte de 60% de Cabernet Sauvignon, 40% deTannat. Passou por um estágio de 12 meses em barricas de carvalho, que aparece no aroma e na boca. Aroma diferente, agradável, com algo mineral bem nítido. Depois de algum tempo, sobressaíram ainda alguns toques de tostado e de cacau. Aroma de intensidade média. Na boca, continua no mesmo tom, mostrando aspectos minerais ao lado de evocações de chocolate. Agradável, mas pouco excitante na boca. Mais do que pronto para o copo. Álcool bem equilibrado pelos demais componentes. Não é longo, não fica sensação duradoura na boca. Ao final, deixa a boca um pouco seca. 13% de álcool.

Rio de Los Pajaros
Onde encontrar: Mistral – R. Rocha, 288, 3372-3400.
Preço: R$ 26,62.
Cotação: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos publicada no suplemento Paladar em abril de 2008. O preço e a disponibilidade são dessa época.
Um corte de Merlot com Tannat. Um vinho feito pela vinícola Pisano, uma das mais importantes do Uruguai, com vinhedos e instalações em Progresso, em Canelones, também perto da capital do país. Faz vinhos de todos os níveis e preços. Este é um tinto simples e gostoso. Não é e nem pretende ser grande, mas sim agradável, para ser provado bem jovem. Não deve ter passado por processos de envelhecimento na madeira. Aroma elegante e agradável, porém pouco intenso. Agrada sobretudo pelos aspectos florais, lembrando violetas. Melhor na boca. Um vinho redondo, gostoso para ser bebido despreocupadamente. A Merlot é majoritária no corte deste vinho redondo, sem arestas e ligeiro, sem muita concentração ou corpo. Sem grandes exclamações, mas dá vontade de continuar bebendo. Mais do que pronto. 13% de álcool.

Ficou com água na boca?