Paladar

Tostado Misto

09 junho 2008 | 15:23 por Jamil Chade

A carne argentina já não é mais a mesma, piorou de modo geral e apresenta altos e baixos. Já foi o tempo em que, para comer bem, bastava pedir um bife de chorizo em qualquer lugar. Agora, é preciso escolher (e bem) onde comer. Em compensação, os bares e cafés de Buenos Aires continuam maravilhosos, verdadeiros oásis de tranqüilidade no corre-corre da cidade, com seus garçons formais, normalmente competentes, boas bebidas, cafés e chás. Alguns são verdadeiras instituições, antigões, lindos e pontos turísticos, como o famoso Café Tortoni. Eles vêm garantindo a continuação de uma das melhores atrações da gastronomia argentina: o tostado “mixto” em pão de miga.

Esse pão de miga é uma espécie de pão de forma muito maior, quatro vezes maior que o pão de forma comum. Para o tostado, ele é cortado bem fininho em máquinas de cortar frios, recheados com uma ou duas fatias de presunto e de queijo e preparados em torradeiras especiais, com as usadas para fazer waffles. Chegam à mesa quentinhos, com as marcas quadradinhas das placas da torradeira e cortados em quatro partes. Cada pedaço corresponde à metade de um sanduíche comum de pão de forma. Pode parecer muito, mas ele é fininho, mais do que delicado. Um ótimo lanche para um intervalo no meio da tarde, acompanhando um bom branco, um chá ou uma cerveja. Também uma excelente opção para quem estiver cansado dos cafés da manhã dos hotéis, sempre iguais.

Outra boa notícia:o vinho argentino melhorou muito e vem sendo tratado com mais respeito pelos cafés e restaurantes populares. É mais comum encontrar copos apropriados e cartas variadas. Há algum tempo, principalmente nas casas populares e cafés, as opções eram mais do que restritas, muitas vezes se restringindo a um vinho comum, desses que os argentinos, com muita sabedoria, tomavam com água gasosa. Hoje, são comuns as cartas de vinhos mais amplas que, curiosamente, costumam ser divididas pelos produtores e não pelos tipos de uvas (Malbec, Cabernet, etc). O que é meio confuso para o consumidor não familiarizados com os vinhos argentinos.