Paladar

Uva Favorita? Prazer em conhecer

09 março 2009 | 00:37 por Jamil Chade

Favorita? Confesso que não conhecia essa uva italiana até provar um excelente branco feito com ela por Gianni Gagliardo, um grande produtor, quer veio a São Paulo para apresentar três de seus vinhos importados pela Enoteca Fasano (R. Amauri, 255, telefone: 3074-3959): Casa Langhe Favorita 2006 (R$ 298); Nebbiolo d´Alba San Ponzio 2005 (R$ 269) e Selezione Fasano Barolo 2004 (feito e rotulado especialmente para a importadora, R$ 475).

O Casa Langhe Favorita 2006 foi o que mais agradou especialmente pela sua estrutura potente, com estrutura de um tinto e que pedia um acompanhamento à mesa. Muito melhor acompanhando frutos do mar do que para bebericar sozinho. Um vinho potente, encorpado e não leve e refrescante.

Em sua apresentação Gianni Gagliardo disse que a Favorita é bastante conhecida no, Piemonte e que só não dá melhores e mais conhecidos brancos porque não é bem tratada pelos lavradores, que insistem em grandes colheitas. Pode até ser bastante difundida nessa região italiana, mas eu não a conhecia, o que não chega a ser uma surpresa, pois são milhares os tipos de variedade de uvas viníferas, isto é aquelas típicas e originárias da Bacia do Mediterrâneo próprias para a elaboração de vinhos. O mundo do vinho sempre nos reserva surpresas. Quem acha que conhece tudo vive caindo do cavalo.

Mais uma vez, o ótimo livro Grapes & Wines, de Oz Clarke e Margaret Rand foi mais do que útil. O livro trata principalmente das uvas, que são citadas alfabeticamente. Segundo o livro, a Favorita pode também ser utilizada como uva de mesa e lembra a mais difundida Vermentino, que encontramos principalmente na Ligúria, na Córsega, na Toscana e na Sardenha, onde gera brancos cheios de aroma, leves e que são ótimos com os frutos do mar da região. A Vermentido, segundo a mesma fonte, pode ser aparentada com a família das Malvasias.

O preço assusta, mas o Casa Langhe Favorita 2006 é um belo vinho (91 sobre 100 pontos possíveis), que encantou sobretudo pelo seu aroma potente, com bastante carvalho, mas com espaço para frutas e outras nuances. Fermentado em barricas de carvalho francês e com longo estágio com as borras da fermentação. Aroma potente, gostoso e que foi melhorando com o tempo no copo. Bom corpo, desses que enchem a boca, consideravelmente seco, equilibrado e longo. Fica gosto agradável na boca. Ele é feito com uva da região de Roero, no Piemonte (13,5% de álcool).

Nebbiolo d´Alba San Ponzio 2005 foi o primeiro tinto provado na ocasião. Também feito na zona de Roero com a uva Nebbiolo, a mesma que gera os grandes do Piemonte, como Barolo e Barbaresco. Passou por longo estágio em barricas de carvalho, o que fica evidente em seu aroma potente e complexo, evocando chocolate (88/100 pontos). O ponto alto do vinho. Na boca, ainda um pouco rústico (14 graus de álcool).

Selezione Fasano Barolo 2004 é um vinho potente, que já dá prazer, mas deve melhorar com mais tempo na garrafa. O Barolo é feito tradicionalmente no Piemonte com a uva Nebbiolo e não é um tinto “fácil”, sempre requer um bom tempo de envelhecimento para ficar menos agressivo. Os Barolos tradicionais exigiam mais tempo, mas os “modernos” podem ser encarados com menos idade. Este Gianni Gagliardo com o rótulo do Fasano, pode ser considerado “moderno”, está quase pronto. Ele é envelhecido durante 24 meses em barricas pequenas de carvalho. Aroma muito gostoso, complexo e intenso. Na boca, começa redondo, mas foi ficando mais agressivo. Ainda tânico (89/100). Um Barolo de La Morra.

Ficou com água na boca?