Paladar

Vale dos Vinhedos

06 fevereiro 2007 | 10:53 por Jamil Chade

A União Européia reconheceu a Indicação Geográfica Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha. O vinho brasileiro está melhorando consideravelmente e bem merece esse reconhecimento, que pode abrir oportunidades comerciais, facilita as exportações, mas representa pouco no que diz respeito à qualidade, que vai continuar dependendo, como em todo mundo, dos produtores.

Na mesma ocasião a mais do que consagrada zona de Napa Valley, na Califórnia, foi reconhecida pelos europeus.

Os vinhos produzidos no Vale dos Vinhedos poderão ostentar no mercado europeu um selo indicando a sua origem, como muitos outros.

Ficou com água na boca?

O conceito de vinho de denominação de origem controlada nasceu na França, notadamente na zona de Châteauneuf-du-Pape. A idéia era proteger os produtores, evitando que vinhos de outra zona se apropriassem do nome famoso. Isso levou a uma legislação detalhista, que, em suas linhas gerais, acabou sendo adotada por outros países vinícolas, como Itália, Espanha, Alemanha, Portugal, etc. Cada país tem a suas leis, mas as linhas básicas são comuns. Uma denominação de origem controlada nada mais é que uma zona determinada, com características comuns (ma non troppo) de solo, clima, exposição ao sol, água e outros aspectos. É o que os franceses chamam de terroir.

Nos países europeus, as leis vão além da fixação de delimitar a região, pois pode especificar os tipos de vinhos que podem ser produzidos (tintos, brancos, rosados, espumantes, etc), as uvas autorizadas, as podas das árvores e até a produção máxima por hectares. Bordeaux, Bourgogne, Champagne, Alsace, Barolo, Chianti, Valpolicella, Rioja, Ribera del Duero, Dão, Bairrada, Alentejo e centenas de outros são vinhos de denominação de origem controlada.

Aqui, no Vale dos Vinhedos, as especificações não são tão rígidas. Os produtores têm mais liberdade, podem escolher as uvas (Merlot, Cabernet, Tannat, etc) os tipos de vinho e assim por diante. Os vinhos do Vale dos Vinhedos devem ser feitos com uvas da região, vinificadas lá mesmo e aprovados por uma comissão de especialistas. Mas a indicação geográfica é um bom começo.

É bom lembrar que também na Europa a denominação de origem não é uma indicação de qualidade. Há bons e maus Riojas, bons e maus Bordeaux, bons e maus Chiantis e assim por diante. Tudo depende do capricho do produtor e do mercado.

A Indicação Geográfica Vale dos Vinhedos, a primeira do Brasil, nasceu da iniciativa de seis vinícolas importantes que, em 1995, fundaram a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos-Aprovale, que hoje abriga 24 associados: Casa de Madeira, Cavalleri, Angheben, Calza Junior, Graciema, Valduga, CEFET, Chandon, Aurora, Famiglia Tasca, Pizzato, Tecnovin, Vallontano, D. Laurindo, Vinhos Reserva da Cantina, Titton, Villagio Laurentis, Lídio Carraro, Cave de Pedra, Cordelier, Dom Cândido, Marco Luigi, Miolo e Wine Park.

São 81,123 quilômetros quadrados de terra, dos quais 26% com vinhedos nos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. A altitude média é de 742 metros acima do nível do mar e a temperatura média entre 16 e 18 graus.