Paladar

Portugal – junho de 2007

Portugal – junho de 2007

26 junho 2007 | 14:40 por Jamil Chade

Ora pois, estive mais uma vez, em Portugal para conhecer melhor os vinhos da mais tradicional vinícola do Alto Douro, a Real Companhia Velha, instituída pelo marquês de Pombal e que está em boa forma, com muito bons Portos e vinhos de mesa.

Portugal continua em obras e não cansa de encantar. O contraste com a modorra da época da ditadura é gritante. Respira-se progresso. Obras por toda parte. Novos edifícios, avenidas largas, estradas modernas, e assim por diante. Mesmo a cidade o Porto, que eu achava um pouco sombria, está mais alegre e clara.

Uma viagem deliciosa no sentido literal do termo, que começou na cidade do Porto, seguiu para Amarante, continuou no Alto Douro, em visitas às quintas da empresa. Recepção mais educadíssima e mais do que generosa de Pedro Silva Reis, diretor da vinícola e de Cláudio Moreira e Celino Nunes Gregório, Importadora Barrinhas. Grupo divertido, animado e chegado à boa mesa. Isso ajuda muito nessas viagens para regiões vinícolas, ás vezes um pouco cansativas (não foi o caso).

Foto Pedro
Pedro Silva Reis

O centro da cidade do Porto, para confirmar a regra, está em obras. Novas linhas do metro e de bonde. Algumas vezes, é preciso atravessar ruas temporariamente sem calçamento.

No primeiro dia, uma vista às grandiosas instalações da Real Companhia Velha, em Vila Nova de Gaia, onde se congregam os grandes produtores de vinho do Porto.

Tradicionalmente, esse vinho é feito com uvas do Alto Douro e transportado para os armazéns de Vila Nova de Gaia, praticamente um bairro do Porto, do outro lado do rio Douro. Embarcações muito particulares levavam o vinho do Alto Douro até Vila Nova de Gaia.

Hoje, foram substituídos por caminhões, mas os barcos rabelos fazem parte do folclore e podem ser vistos no Douro, ostentando em suas velas os nomes dos produtores.

Instalações magníficas, carregadas de história, que abrigam 4 mil pipas de 550 litros e outros depósitos com um total aproximado de quatro milhões de litros. Muitas garrafas venerandas, várias do ano de 1871, conhecido como o ano do chaneler alemão Bismarck, grande apreciador do Porto. A garrafa mais antiga é de 1765, uma relíquia guardada literalmente numa redoma.

Vista Carvalhas

Ainda nos armazéns, além das pipas para o Porto, perto de 2.500 barricas bordalesas de carvalho para envelhecer os vinhos de mesa (os da linha Evel para cima, passam pelo carvalho).

Pedro Silva Reis promoveu uma degustação muito interessante para demonstrar os dois tipos básicos de Porto: os envelhecidos ns pipas (tawnies ou aloirados) e os envelhecidos nas garrafas (Vintage, o mais caro e o de mais prestígio e late bottled vintage). Duas famílias totalmente diferentes, que nascem dos mesmos vinhedo. Os tawnies são atraentes, charmosos e fáceis de gostar. O Vintage é austero e demanda uns 15 anos na garafa par ficar no ponto.

Depois da visita um jantar excelente, oferecido por Pedro Silva Reis, que dirige a empresa junto com seu irmão, Manuel. No aperitivo, um “lançamento”, um coquetel feito com Porto branco seco servido com gelo feito com suco de laranja. Interessante, mas prefiro os Portos tradicionais.

Num dos armazéns foi montado um bufê de frutos do mar farto, delicioso e espetacular no sentido do termo – lagostas, peixes, camarões graúdos, mariscos e percebes, uma iguaria rara e caríssima. Esse fruto do mar tem aparência estranha, lembrando uma garra, com duas unhas. Para comê-lo, é preciso quebrar a garra par retirar o centro, como se fosse um tutano. Dá trabalho e costuma sujar a camisa, mas é delicioso.

Bufê

Esse bufê foi só o aperitivo, pois se seguiu um jantar formal, com um belo filé servido com um bom Porca de Murça.

Ficou com água na boca?