Paladar

Vinhos chilenos baratos e bons – parte I

12 maio 2008 | 14:37 por Jamil Chade

É marcante o progresso dos tintos feitos com a Merlot no Chile. Parece evidente que eles ganharam muito depois que as suas uvas foram “oficialmente” separadas das da Carmenère. A degustação de Merlots básicos, nada caros, abaixo da faixa dos R$ 50 agradou tanto que decidi dividir em duas colunas, uma com os produtos até R$ 35, que surpreenderam, que comentamos hoje e outra com os mais caros, acima desse patamar. Normalmente, vinhos redondos, gostosos, fáceis e prontos para beber.

Merlot, Carmanère, Cabernet Sauvignon e outras uvas européias foram levadas para o Chile em meados do século 19. Os grande senhores de minas e de terras provavelmente ficaram seduzidos pela idéia de fazer ótimos vinhos, Bordeaux no Chile e importaram as uvas. Isso aconteceu antes da praga da filoxera quase arrasar os vinhedos europeus, que se salvaram enxertando suas uvas nobres em raízes de plantas mais comuns, não viníferas, mas resistentes a esse pulgão. Protegido por barreiras naturais (Andes, leste, Pacífico, oeste, deserto ao norte e geleiras ao Sul) o Chile não conhece a praga e as raízes de suas videiras são originais. Aliás, os produtores chilenos não deixam passar uma única oportunidade para destacar esse fato.

Merlot e Carmenère são de Bordeaux e vieram misturadas para o Chile. Em Bordeaux, a Carmenère era relativamente importante, mas praticamente desapareceu pois não se deu bem com o processo de enxertia. No Chile, ela ficou desconhecida, misturada com a Merlot até ser identificada em meados da década de 1990.

Antes disso, Merlot e Carmenère se atrapalhavam. Eram plantadas juntas, mas a Merlot amadurece antes. Assim, nas colheitas dos vinhos “Merlot” vinham muitos cachos ainda meio verdes da Carmènere, que davam um gosto vegetal não muito agradável. Separadas, vivem muito melhor.

Misiones del Rengo Reserva Merlot 2005
Onde encontrar: Épice. Televendas: 6910-4662.
Preço: R$ 34,73
Cotação: 88/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em abril no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Misiones del Rengo, de Colchagua, é controlada pela grande Tarapacá, mas tem autonomia técnica. Tem instalações modernas em Rengo, mas não vinhedos próprios. Normalmente, vinhos bem feitos e não caros, o que vem garantindo sucesso de vendas no Chile. Normalmente, vinhos, simples, gostosos, fáceis de beber e de gostar. Este se enquadra muito bem nesses parâmetros. Este foi feito com uvas compradas no grande Valle de Rapel. Para quem gosta de tintos tipo “Novo Mundo”, concentrados e bastante marcados pela madeira. Aroma muito bom e intenso. Bastante madeira, mas espaço para as frutas. Redondo, macio e com boa acidez, não enjoativo. A madeira também é marcante na boca. Baunilha e café. Equilibrado e com final gostoso. 14% de álcool.

Casillero del Diablo Merlot 2006
Onde encontrar: Submarino. Televendas: 4003-2000.
Preço: R$ 35
Cotação: 90/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em abril no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

É impressionante a regularidade da linha Casillero del Diablo, da gigante Concha y Toro. Vinhos produzidos em alta escala, quase sempre muito bons e com preços que chegam a entusiasmar. Campeões de custo benefício. Este vinho tem a denominação bastante genérica de Valle Central, indicando que pode ter sido feito com uvas de qualquer parte dessa grande área, que engloba os vales de Maipo, Rapel, Curicó e Maule. Aroma muito agradável, com toques de queimado, de café e de chocolate. Também frutas. Talvez bombom de chocolate com licor de cerejas. Um vinho que pode não ser complexo, mas agrada de início ao fim. Fácil e beber e de gostar. Macio, sedoso, com taninos finos e que deixa na boca uma sensação gostosa. Novo e mais do que pronto. 14% de álcool.

Montes Merlot 2005
Onde encontrar: Mistral. Telefone: 3372-3400.
Preço: R$ 35
Cotação: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em abril no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Montes é uma das melhores vinícolas do Chile. Só produz vinhos finos e é bastante voltada para a exportação. Sua vinícola em Apalta, no Valle de Colchagua é uma beleza e muito eficiente. Este é feito com uvas que podem ter vindo de qualquer parte do Valle de Colchagua e não só de Apalta. Das linhas básicas da empresa. Aroma decepcionou. Depois de um certo tempo no copo, apresentou um bom aroma de frutas. Mas a primeira impressão não foi das melhores. Pouca intensidade de aroma. Melhor na boca. Primeira impressão muito boa, de vinho intenso, redondo, macio. Mas depois foi caindo um pouco. Taninos presentes e um pouco agressivos ao final. Ressecou um pouco a boca. Pode melhorar um pouco com o tempo, mas já está pronto para o consumo. 14% de álcool.

Santa Rita Gran Hacienda 2000
Onde encontrar: Grand Cru. Telefone: 3962-6388.
Preço: R$ 35
Cotação: 89/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em abril no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A gigante Santa Rita faz vinhos de vários níveis e em alguns dos principais vales vinícolas do Chile. Normalmente, vinhos bem feitos, que se destacam em suas respectivas categorias. Este é de uma linha mais popular (Gran Hacienda) e tem ótima relação custo-benefício. Ótima relação custo-benefício. Vinícola e principais vinhedos no Valle del Maipo, mas este vem de Rapel, um pouco mais ao Sul, onde a Merlot tem se destacado em algumas zonas. Aroma fino elegante e intenso. O tipo de vinho perfumado, com toques florais se destacando. Também algo de chocolate, de café. Na boca, elegante e charmoso. Fácil de beber. Dá vontade de continuar bebendo. Mais do que pronto para o copo. Também algo de chocolate e de café na boca. Final bem gostoso. Álcool bem equilibrado. Final muito gostoso. 14% de álcool.

Ficou com água na boca?