Paladar

Vinhos Chilenos com a Cabernet Sauvignon abaixo de R$ 35

30 outubro 2008 | 16:08 por Jamil Chade

Pode se beber muito bem escolhendo com cuidado alguns dos tintos das linhas básicas de grandes vinícolas do Chile, como demonstrou esta degustação de vários deles – todos numa faixa abaixo dos R$ 35. Tintos adaptados aos tempos de crise.

Normalmente, os melhores vinhos são mais caros, mas isso não quer dizer que não podemos beber com prazer vinhos baratos, os básicos de países produtores tradicionais, feitos com as uvas de mais qualidade e mais difundidas no Chile e Argentina: Cabernet Sauvignon e Malbec. Assim, na próxima semana voltamos aos Cabernets chilenos baratos, das linhas básicas, muitos dos quais e encontramos em supermercados. Posteriormente, vamos repetir a dose com os Malbecs baratos da Argentina.

Essas duas uvas dominam em quantidade e qualidade no Chile e Argentina e é natural que empresas caprichadas consigam fazer produtos razoáveis com uvas não tão caras. Naturalmente, as vinícolas reservam as melhores uvas, as mais caras para os seus produtos caros. Mas a fartura dessas uvas nesses países é tanta que dá para escolher boas frutas para produtos que não custam caro, mais para o dia-a-dia.

Em todos países e regiões vinícolas encontramos vinhos de vários níveis de uma mesma vinícola. Isso é mais do que evidente no Chile e Argentina, países nos quais a industria é marcada pelos grandes conglomerados, que fazem produtos de vários níveis, preços e regiões.

É preciso sempre prestar atenção ao “nome e sobrenome” de um vinho. Um “Concha y Toro Reservado” ou um Nieto Senetiner comum têm muito pouco a ver com os vinhos de elite (muito mais caros), das empresas.

A técnica evoluiu muito nos últimos anos. Hoje em dia, no Chile, Argentina. Brasil e outros países as vinícolas são muito bem equipadas, favorecendo a qualidade final dos produtos, notadamente dos produtos feitos em série.

Controle de temperatura das fermentações, melhores filtrações e outros avanços técnicos estão beneficiando todos os vinhos, inclusive os mais baratos. Graças a esses cuidados, felizmente, hoje encontramos tintos e brancos baratos e eu não prazer.

Cono Sur Bicicleta Cabernet Sauvignon 2006
Onde encontrar: Wine Premium. Telefone: 3040-3411.
Preço: R$ 23
Cotação: 88/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

Um tinto muito bem feito, com excelente relação qualidade-preço. A Cono Sur é uma vinícola de alto nível, preocupada com a ecologia. Uma espécie de subsidiária da Concha y Toro. Aroma gostoso complexo, com alguns toques de madeira, o que não é nada comum em produtos tão baratos. Um vinho do Valle Central, que é uma denominação muito ampla. Aroma lembrava a baunilha típica do bolo caseiro. Também frutas. Além de gostoso, intenso. Continuou quase no mesmo nível na boca. Primeira impressão de vinho “doce”, macio, sedoso e equilibrado. Álcool muito bem integrado. Depois de um certo tempo no copo, afloraram aspectos que lembravam chocolate e especiarias, talvez cravo. Final muito gostoso. Um pouco tânico, mas deixa sensação gostosa na boca. 14% de álcool.

Ventisquero Cabernet Sauvignon Clasico 2007
Onde encontrar: Cantu. Televendas: 0300-2101010
Preço: R$ 29,90
Cotação: 85/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Ventisquero é uma vinícola moderna, muito bem equipada do Valle del Maipo. Mas este vinho é de denominação muito mais ampla Valle Central, que reúne os principais vales tradicionais – Maipo-Rapel-Curico e Maule. A empresa faz realmente muitos vinhos, de vários tipos e com uvas bem diferentes. Este é um vinho bom, básico, que não chega a entusiasmar. Ainda muito jovem e tânico. Aroma bom, mas não intenso. Lembra muito os chilenos tradicionais, com aromas bem vegetais, de grama cortada, de eucalipto. Na boca, não e dos mais intensos, mas ainda um pouco tânico. Também vegetal na boca. Apareceram também as evocações de goiaba madura, que muitas vezes encontramos nos tintos populares feitos com a Cabernet Sauvignon. Um vinho correto, mas meio curto. Não deixa sensação longa na boca. 13,5% de álcool.

Emiliana Viñedos Cabernet Sauvignon 2006
Onde encontrar: Magna Import. Telefone: 2113-0999.
Preço: R$ 23
Cotação: 87/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Emiliana é uma vinícola especial, muito caprichada, supervisionada por Alvaro Espinosa, um dos grandes enólogos do Chile, defensor ferrenho da produção orgânica e biodinâmica de vinhos. Também ligada à Concha y Toro. Isso não quer dizer que este seja um vinho biodinâmico total. Vinho muito bem feito com uvas do Valle de Rapel. Um vinho em dois tempos. Aroma muito tímido, com algo de frutas. O ponto baixo do vinho. O aroma não prometia muito, mas a impressão na boca foi das melhores. Tinto redondo, fácil de beber. O sabor evoluiu no copo, mas o aroma continuou tímido. Um tinto redondo, fácil de beber e com boa acidez. Nada enjoativo. Taninos evoluídos, macios. Mais do que pronto para o copo. Equilibrado, com o álcool muito bem integrado. 13,5% de álcool.

Terra Andina Cabernet Sauvignon 2007
Onde encontrar: Vinci. Televendas: 6097-0000.
Preço: R$ 32
Cotação: 89/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

Um tinto muito gostoso mesmo, surpreendente e com ótima relação custo benefício. A Terra Andina, segundo o guia Descorchados, de Patrício Tapias é controlada pela gigante Santa Rita e visa fazer vinhos caprichados numa faixa intermediária de preços. Este Cabernet Sauvignon agradou do começo ao fim. Não é um vinho complexo, mas gostoso mesmo. Cor violácea de vinho novo, mas pronto para o copo. Nada agressivo. Um tinto que deve agradar quem gosta dos toques de madeira. Mas deixa espaço para as frutas, notadamente e ameixa. Aroma intenso, complexo. Segue o mesmo diapasão na boca, onde apareceram sugestões de especiarias, como cravo. Não dos mais encorpados, mas elegante, “doce e macio”. Taninos prontos. Longo. Deixou na boca uma sensação gostosa e duradoura. 13,5% de álcool.