Paladar

Vinhos Chilenos com a Cabernet Sauvignon abaixo de R$ 20

07 de novembro de 2008 | 18h58 por Jamil Chade

Abaixo dos R$ 20 ainda encontramos alguns tintos chilenos feitos com a Cabernet Sauvignon corretos, gostosos, fáceis de beber, que dão prazer, mas que dificilmente entusiasmam, mais adequados para o dia-a-dia, para as ocasiões informais. Nisso, nenhuma surpresa, pois esses produtos são feitos para isso mesmo. Há mais altos e baixos do que na faixa acima de preços (até R$ 35) e é preciso atenção na hora da compra. Quem for comprar em quantidades maiores deve tomar suas precauções: levar uma garrafa para casa, provar com atenção e dó depois completar a compra. Consuma com moderação.

Sem dúvida, os melhores tintos populares do Chile são feitos com a Cabernet Sauvignon, que abunda, é majoritária em quase todas regiões tradicionais. Essa uva vem de Bordeaux e costuma gerar bebidas encorpadas, com bastante tanino, que demandam algum tempo na garrafa. No Chile, ela se deu muito bem, mas não precisam envelhecer tanto. Os vinhos mais populares são feitos para consumo imediato e mesmo os melhores não precisam de tanto tempo Há exceções, mas considero arriscado guardar um bom vinho do Chile mais do que sete ou oito anos. O risco é grande e não há tanto a ganhar.

A Cabernet no Chile, muitas vezes, principalmente quando a produção é alta, apresenta algumas características vegetais que muitos associam automaticamente ao tinto chileno. Os Cabernets da velha guarda apresentavam esses toques de pimentão, de eucalipto, de menta, de grama cortada e de goiaba. Quando exageradas, essas características chegam a incomodar um pouco. Nos produtos mais modernos, tais características são mais discretas.

A grande maioria dos produtos populares ostenta a denominação “Valle Central” que é bastante elástica. A Cabernet Sauvignon chegou ao Chile no século XIX e se estabeleceu no Valle del Maipo, onde fica Santiago, até hoje considerada a melhor zona para a uva, que também é majoritária nas demais zonas do Valle Central, os vales de Rapel Curicó e Maule. Também domina amplamente no Valle del Aconcagua.

Tarapaca Cosecha 2007
Onde encontrar: Épice. Telefone: 6910-4662.
Preço: R$ 14,92
Cotação: 85/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Tarapacá faz parte de um grande conglomerado com produtos de vários níveis. Ela é do Valle de Maipo, mas este produto é do Valle Central, indicando que pode ter sido feito com uvas das principais zonas vinícolas do Chile. Este vinho é particularmente atraente pelo seu preço. Um tinto decente, que se deixa beber com facilidade a um preço realmente atraente. Deve melhorar com um pouco mais de tempo na garrafa. Atualmente, ainda meio tânico e ressecante, o que não se percebe tanto quando ele é consumido com comida. Cor violácea, de vinho bem novo. Aroma agradável e bem típico dos vinhos chilenos tradicionais, evocando aspectos vegetais como os de eucalipto e menta. Primeira impressão na boca muito gostosa, intensa. Depois ficou um pouco rústico, meio ressecante, Pouco concentrado e curto. Melhorou com o tempo no copo. Álcool bem equilibrado. 13% de álcool.

Gato Negro Cabernet Sauvignon 2007
Onde encontrar: La Pastina. Telefone: 3383-7400.
Preço: R$ 18
Cotação: 85/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

O tinto básico da gigante San Pedro, o segundo maior conglomerado vinícola do Chile que tem sede em Curicó, mas faz vinhos em muitos lugares do Chile. Vinho da denominação bastante genérica Valle Central, que permite a utilização de uva dos vales do Maipo, Rapel, Curicó e Maule. Um tinto ainda muito jovem, que deve ganhar com um pouco mais de tempo na garrafa, mas já dá prazer. Aroma agradável, bastante típico. Os toques vegetais comuns nos Cabernets chilenos, mais algo floral, talvez lembrando violeta. Um aroma acima da média. Na boca, redondo, agradável e fácil de beber. Macio, com taninos nada agressivos. Não muito concentrado e com final um pouco agressivo. Álcool muito bem comportado. 13,5% de álcool.

Santa Alvara 2005
Onde encontrar: Empório Frei Caneca. Telefone: 3472-2082.
Preço: R$ 19,50
Cotação: 84/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

Um tinto do Valle Del Rapel para quem gosta de vinhos potentes e alcoólicos. O vinho é elaborado pela vinícola Lapostolle, que tem muito prestígio. Este não está entre os mais representativos dessa importante vinícola. O site da empresa diz que foi envelhecido em carvalho, o que não percebi. O vinho já tem alguns anos e o aroma está tímido, pouco intenso. O álcool começa a se manifestar no nariz, picando as mucosas. Por trás do álcool, as características dos vinhos de massa feitos com a Cabernet Sauvignon. Evocações vegetais com os habituais toques de eucalipto e algo mineral. Na boca, começa bem, com boa concentração de sabor, mas depois vai sendo dominado pelo álcool, que é o que se destaca mesmo. Acidez um pouco agressiva. Um tinto curto, que desapareceu rapidamente da boca. 14,5% de álcool.

Santa Helena Cabernet Sauvignon Reservado 2007
Onde encontrar: Interfood. Telefone: 6602-7255.
Preço: R$ 20
Cotação: 86/100 pontos.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada em outubro no suplemento Paladar, do Estadão. Os preços e a disponibilidade são da época da publicação.

A Santa Helena é controlada pela gigante San Pedro, mas tem autonomia técnica. Seus vinhos costumam ser altamente confiáveis, como este “Reservado”, o tinto mais simples da empresa feito com uvas do Valle Central. Quase todos os vinhos baratos chilenos têm a denominação Valle Central. Aroma agradável, não dos mais intensos, com um ligeiro toque vegetal. Na boca, simples, gostoso, com boa acidez. Um tinto simples, “guloso”, que dá vontade de continuar bebendo. Não é e nem tem pretensão de ser grande. Deve melhorar com mais tempo na garrafa. Melhorou depois de um certo período no copo. Na boca, macio, com algo de chocolate. Boa relação custo-benefício. Álcool bem comportado, equilibrado. 13% de álcool.

Ficou com água na boca?