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Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Coletivo de queijeiros paulistas comemora três anos com mais de cem tipos de queijo

Conheça o Caminho do Queijo Artesanal Paulista, em que produtores se organizam de forma independente para fortalecer a cultura do queijo artesanal

09 de setembro de 2019 | 15h38 por Débora Pereira

Elas são oito queijarias. Não têm cacique, nem chefe, mas se articulam de forma coletiva para valorizar o patrimônio do queijo artesanal paulista.

A última ação foi uma grande feira no sábado 30 de agosto, no espaço artístico B_arco, em Pinheiros (veja vídeo abaixo), onde todos os produtores participantes do Caminho do Queijo Artesanal Paulista comemoraram o início do terceiro ano de existência do grupo.

Membro fundadora, Maristela Nicolellis, da Fazenda Santa Luzia, nos deu essa entrevista para contar como são os bastidores do movimento.

Ao centro de preto, Maristela Nicolellis se torna membro da Guilde Internationale des Fromagers, na cerimônia realizada em Araxá, no Mundial do Queijo do Brasil. FOTO: Joelsio Soares/SerTãoBras

 

Qual a filosofia do coletivo Caminho do Queijo Artesanal Paulista?
Nós temos um manifesto publicado há três anos no nosso site. Ele diz que queijo artesanal é o produzido em pequena escala, com predominância dos processos manuais, uso limitado de máquinas e utilização exclusiva de leite produzido em cada queijaria ou no arredores. Aceitamos, usamos e incentivamos o leite cru na produção de nossos queijos. Mas não somos xiitas, algumas queijarias trabalham com leite pasteurizado, outras só com leite cru e outras, ainda, com cru e pasteurizado. Somos livres para produzir como desejamos em busca de queijos e produtos lácteos de altíssima qualidade.

Em cima queijo Guainá, em homenagem aos antigos habitantes da região de Porto Feliz, e o Araritaguaba, inspirado no percorino italiano. Ambos de leite de ovelha da queijaria Rima. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

 

Quantos litros vocês transformam por dia?
Juntas, transformamos por dia 6.800 litros de leite, de vaca, búfala, ovelha e cabra, em mais de 100 variedades de queijos e produtos lácteos.

Como se passa a interação entre os membros do grupo?
Aqui não temos chefe, todos participam de forma co-organizada. Reunimos uma vez por mês para trocar informações e planejar ações comuns. Sabemos que juntos somos mais fortes nesse mercado onde o artesanal ainda tem muitos entraves para se desenvolver. Em nossas reuniões, geralmente na propriedade de um de nós, visitamos as instalações, produção e fazemos sugestões.

Queijo Bem Brasil, de Carolina Vilhena, da Belafazenda, fermentado com kefir. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

 

Qual o pré-requisito para fazer parte do coletivo?
É necessário estar regulamentado ou em trâmites de regulamentação no Estado de São Paulo. Mas principalmente oferecer produtos inovadores, originais e de altíssima qualidade, claro.

Quais as ações comuns?
Fazemos algumas compras conjuntas, temos queijos em parceria e podemos estar mais facilmente presentes em eventos e feiras. Para os consumidores apaixonados por queijos, temos uma rota turística com o mesmo nome do coletivo, o Caminho do Queijo Paulista. É a oportunidade para pessoas mais urbanas conhecerem melhor o nosso modo artesanal de fabricação e nossas fazendas. Temos somente dois anos de vida e ainda há muito para crescer.

Palestra do coletivo no Mundial do Queijo do Brasil, em Araxá. FOTO: Joelsio Soares/SerTãoBras

 

Vocês participam em frentes de trabalho para a legalização?
Sim, temos participado ativamente junto aos órgãos legisladores para a legalização de queijarias artesanais e práticas artesanais. Martin Breuer, meu marido e produtor de queijo, é o vice-presidente da Associação dos Produtores de Queijo Paulista. A associação é muito atuante nestes eventos e o Caminho acompanha as novidades em termos de legislação. Alguns de nós também fazemos parte da associação SerTãoBras, que ajuda a divulgar nossos queijos além das fronteiras paulistanas e brasileiras. Estivemos presentes no Mundial do Queijo do Brasil, em Araxá e temos enviado queijos para concursos internacionais, já com algumas medalhas.

Fábio Pimentel da queijaria Montezuma, de queijos de leite de búfala. FOTO: Débora Pereira

 

Como os queijos do coletivo são acessíveis para os consumidores?
Nossos queijos são vendidos nas próprias propriedades, em mercados e empórios especializados, restaurantes, supermercados finos e feiras. Para o consumidor final, os preços dos queijos dos produtores do Caminho variam entre R$ 30 e R$ 220. É um valor mais alto que queijos industriais, porque nosso queijo é feito artesanalmente, são pequenas produções bem cuidadas, de forma manual. Hoje, o consumidor sabe valorizar melhor essas características em um produto do que há alguns casos.

 

Veja como foi a 3ª feira dos queijeiros paulistas

 

Produtores do Caminho do Queijo Artesanal Paulista

Fazenda Atalaia
Fazenda Santa Luzia
Laticínio Artesanal Montezuma
Leiteria Santa Paula
Pé do Morro
Pardinho Artesanal
Queijaria Belafazenda
Queijaria Rima

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