Paladar

Só queijo

Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Goiânia recebe Festival Fermentar para incentivar cultura queijeira no Centro-Oeste

Uma das missões do evento, no fim de agosto, é ensinar o grande público a comer queijos ainda desconhecidos

02 de agosto de 2019 | 14h06 por Débora Pereira

“Ano passado a edição do Festival Fermentar em Brasília foi excelente para os produtores de queijo da nossa região, por isso decidimos acolher o evento esse ano em Goiânia”, conta Ricardo Avelino, dono da loja Dom Rico Artesanal. Dentista, ele divide sem tempo entre o consultório e sua paixão: um empório só de produtos artesanais onde o queijo é o coração que pulsa.

Loja Dom Rico Artesanal no Setor Marista de Goiânia. FOTO: Maria Célia Siqueira/Estúdio

Sua loja é o oásis da cultura queijeira na capital de Goiás, não existe um conceito parecido. “As pessoas entram perguntando se tem queijo canastra ou outro minas artesanal e se surpreendem” conta Ricardo. Tem queijo paulista, paraibano, do sul do país, de leite de cabra, búfala, ovelha e vaca… “Daqui de Goiás, que a produção ainda está bem no início, tenho somente o Bem Dito Queijo, do produtor Fabiano Dias. Ele parece um queijo minas, como o povo aqui é acostumado, mas bem mais cremoso e intenso, os clientes adoram a sua maturação” disse ele.

A Dom Rico se prepara para receber no final de agosto eu e Hervé Mons, um dos mais conceituados mestres queijeiros da França, para três dias de cursos de cura, fabricação, degustação e análise sensorial.

Os professores Laurent e Hervé Mons com o produtor goiano Fabiano Dias ao centro. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Parceiro do Festival, Fabiano fez curso esse ano na Maison Mons na França para aperfeiçoar seus métodos de cura. Depois de conhecer Hervé no Festival Fermentar de Brasília em 2018 ele animou: “melhorei muito meu queijo resolvi ser parceiro”. Ele intimou Ricardo para realizar a edição de 2019 aqui. O convite foi da Marina Cavechia, do Teta Cheese Bar de Brasília, que queria que o Fermentar continuasse na região centro oeste do Brasil.

Bem Dito queijo em seu passeio no Mundial do Queijo de Tours, na França. FOTO: Fabiano Dias/Acervo Pessoal

Os três concordam que é preciso não só formar produtores de queijos “mas principalmente consumidores”. “A maioria das pessoas aqui nunca comeu um queijo de cabra, ou um queijo de ovelha azul, é um mercado bem restrito, precisamos democratizar o queijo e convencer os produtores daqui a variarem suas receitas, isso vai gerar muito valor e fazer bem pra nossa economia” disse Fabiano.

Ambiente moderno para emoldurar novos queijos

“Temos essa mesa no centro da loja, onde eu exponho os queijos para degustação, em torno dela gira tudo” diz Ricardo. Ele começou sua conversão para queijeiro em 2015, quando uma prima chamou para irem até a Serra da Canastra em uma viagem de descoberta queijeira promovida pelo Fernando Oliveira d’A Queijaria. “Eu fui sem saber o que encontrar, gosto muito de comida, sempre gostei de queijo, fiquei tocado com o que vi”, disse Ricardo Avelino “mas definitivamente não queríamos uma loja com jeito de fazenda mineira” brinca ele.

Queijo grana dos Lauras, da Serra da Mantiqueira. FOTO: Ricardo Avelino/Acervo Pessoal.

A loja, toda de madeira, ferro, vidro e decoração moderna, fica no setor Marista da cidade, área de bares e caminho para condomínios de classe alta, sua principal clientela. “Hoje a maioria dos comércios alimentares mais refinados estão em galerias de compras, nós preferimos rua, estacionamento na porta, movimento, vida” disse Ricardo. O salão de 120 m2 tem duas mesas grandes onde são realizadas degustações e eventos.

Nos finais de semana Ricardo deixa caixinhas de presente prontas com queijos, azeite, vinhos, geléias e outras gulodices para os clientes levarem para casa. FOTO: Maria Célia Siqueira/Estúdio

Quase todos os produtos da loja são artesanais brasileiros.”Os azeites são minha única exceção. Não são nacionais. Sempre tive uma paixão pelo formato de azeite a granel. Está bem alinhado ao formato dos queijos, que são todos para degustação e, em sua maioria, fracionáveis” disse Ricardo.

O cliente experimentar e envasar no momento da compra. FOTO: Maria Célia Siqueira/Estúdio

Como Ricardo ainda trabalha como dentista, atividade da qual ele quer se distanciar aos poucos, sua mulher Gisela Haun,  funcionária pública estadual, divide com ele as tarefas da loja.

Ricardo Avelino e sua mulher Gisela Haun. FOTO: Maria Célia Siqueira/Estúdio

Festival Fermentar em Goiânia

As inscrições para o Festival Fermentar em Goiânia – dias 24, 25 e 26 de agosto – estão abertas no site da SerTãoBras. São dois cursos de cura (nível 1 e 2), de degustação e análise sensorial, de vendas de queijos e de fabricação, onde serão praticadas receitas de massas lácticas, como o brillat-savarin (triplo creme).

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